O presidente do Supremo Tribunal Federal criticou a absolvição dos condenados no julgamento do Mensalão do crime de formação de quadrilh



O presidente do Supremo Tribunal Federal criticou a absolvição dos condenados no julgamento do Mensalão do crime de formação de quadrilha

André Richter e Luciano Nascimento

Joaquim Barbosa: “com argumentos pífios, foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida", disse
Brasília - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, criticou a absolvição dos condenados na AP 470, o julgamento do mensalão. 
 “Esta é uma tarde triste para o Supremo Tribunal Federal, porque, com argumentos pífios, foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida, extermamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012”, afirmou.
No início da tarde, por 6 votos a 5, o Supremo absolveu oito condenados por formação de quadrilha. 
De acordo com o entendimento da maioria, os réus ligados aos núcleos financeiro e político não formaram uma quadrilha para cometer crimes.

Os votos pela absolvição foram proferidos pelos ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Rosa Weber. Pela condenação, votaram Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Joaquim Barbosa.

Segundo o presidente do Tribunal, a atuação dos condenados em uma quadrilha ficou comprovada, porque a “estrutura delituosa estava em funcionamento” durante o período em que os crimes correram. 
A estrutura, segundo ele, era operada pelas empresas do publicitário Marcos Valério e pelos condenados ligados ao PT, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. 
“Como não dizer que toda essa trama não constitui quadrilha? Se não fosse a delação feita por um dos corrompidos [ex-deputado Roberto Jefferson] , muitos outros delitos continuariam a ser praticados”, disse.
Com a decisão da maioria dos ministros, as penas atuais ficam mantidas porque as condenações por formação de quadrilha não foram confirmadas. Os réus aguardavam o julgamento dos recursos. 

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu vai continuar com pena de sete anos e onze meses de prisão em regime semiaberto; o ex-deputado José Genoino, com quatro anos e oito meses, e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, seis anos e oito meses.

O publicitário Marcos Valério foi condenado a 40 anos. Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, ex-sócios dele, cumprem mais de 25 anos em regime fechado. 
Todos estão presos desde novembro do ano passado, devido às penas para as quais não cabem mais recursos, como peculato, corrupção, evasão de divisas.

A sessão de hoje foi iniciada com o voto do ministro Teori Zavascki, que também absolveu os oito réus. Com o voto do ministro, o placar a favor do provimento dos embargos ficou em 5 a 1. Zavascki argumentou que as penas no crime de quadrilha foi "exacerbada" e sem a devida fundamentação jurídica.
O placar favorável aos condenados foi formado com o voto da ministra Rosa Weber, que reafirmou a posição na definição das penas, em 2012. A ministra reiterou que as provas não demonstraram um vínculo associativo entre os condenados de forma estável, fato de caracteriza uma quadrilha. Segundo ela, é necessário que a união dos integrantes seja feita especificamente para a prática de crimes. “Continuo convencida de que não se configurou o crime de quadrilha”, disse a ministra.

Em seguida, Gilmar Mendes acompanhou Luiz Fux e defendeu a condenação dos acusados. Marco Aurélio acatou em parte os embargos. 

O ministro considerou que houve o crime de quadrilha, pois "houve permanência e estabilidade na prática, e houve acima de tudo entrosamento" na prática criminosa.

Mas, em seu voto, ele discordou da dosimetria da pena dada aos condenados. O ministro votou pela diminuição da pena, conforme votou nos embargos de declaração.
Antes de finalizar o voto, Marco Aurélio fez críticas ao novo entendimento firmado pelo Tribunal. "A maioria está formada. O Supremo de ontem assentou a condenação, e o fez por 6 a 4, e o de hoje muda a lógica e, com a devida vênia, inverte este placar", disse.

Para o ministro, o resultado dos embargos, não levou em consideração as provas do julgamento. "O nosso pronunciamento se fez a partir da prova. E da prova, a meu ver, contundente, quanto à existência, não de uma simples coautoria, mas quanto à existência do crime previsto no artigo 288 do Código Penal."
Em seguida, Celso de Mello votou contra os embargos e salientou que a decisão do STF de condenar pelo crime foi "corretíssima". O ministro lembrou que o crime dispensa, "como diz a jurisprudência, o exame aprofundado do grau de participação de cada um". 

E que o vínculo da quadrilha ficou demonstrado por ter se projetado entre 2002 e 2005. "O reconhecimento desse cenário põe em evidência, de forma clara, a ofensa que esses condenados cometeram contra a paz pública", observou.
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma agora à tarde o julgamento para analisar os recursos de três condenados por lavagem de dinheiro, entre eles o ex-deputado João Paulo Cunha.

Maior corretora de Bitcoin some e leva US$ 350 milhões de seus clientes - Zombie Bit Coin



Em roubo estimado em US$ 350 milhões, maior corretora de Bitcoin desaparece


A atual fase da Bitcoin é realmente ruim: depois de inúmeras questões regulatórias e problemas no serviço nos últimos meses, a moeda virtual pode ter que enfrentar a maior de suas questões. Na última segunda-feira (24), a maior corretora do mundo que negocia a moeda, a japonesa Mt. Gox, simplesmente desapareceu e levou o dinheiro de seus clientes consigo. 

O site da empresa exibe uma tela em branco, mas as mensagens do servidor mostram que, provavelmente, não há nenhum conteúdo por lá, tudo deletado. As estimativas é que o desaparecimento, a Mt.Gox tenha levado consigo 744 mil bitcoins, que equivaleriam a cerca de US$ 350 milhões nos preços atuais e representam 6% do total de bitcoins em circulação. 

Uma das pioneiras no ramo, a Mt.Gox é da mesma nacionalidade que o criador da moeda e ostentava o posto de maior do mundo até recentemente. Pouco antes do desaparecimento, seus executivos saíram da Bitcoin Foundation de surpresa - no mesmo momento em que os executivos das outras seis grandes corretoras estavam tentando convencer as pessoas de que a moeda é segura.  

O "roubo" da Mt. Gox é possivelmente a história de maior impacto na moeda recentemente e pode decretar o fim da credibilidade dela. "A trágica violação da confiança dos usuários da Mt. Gox foi o resultado da ação de uma companhia e não reflete a resiliência ou o valor do Bitcoin e a indústria de moedas digitais", afirmaram os executivos das outras seis grandes corretoras.

A discussão sobre o desaparecimento é imensa, porém. Muitas pessoas destacam ter perdido grandes fortunas com a moeda, o que pode ser constatado no popular post do Reddit chamado de "Gox Horror story thread - How much did you lose?" (A história de Horror da Gox - Quanto você perdeu?).

Geração do milênio nos EUA mostra conservadorismo na hora de investir




Por Danylo Martins | De São Paulo

 Os jovens investidores costumam manter 52% dos recursos em caixa
Preguiçosos, gastadores e obcecados por tecnologia. Esses são alguns dos adjetivos geralmente atribuídos aos "millennials", os integrantes da "geração do milênio" ou "geração Y", jovens adultos com idades entre 21 e 36 anos. Mas quando o assunto é investimento, essas características parecem ficar para trás, segundo a 6ª edição do estudo "UBS Investor Watch", divulgado recentemente pelo banco suíço.
O título da pesquisa já chama atenção para as características dessa nova geração de investidores que está emergindo: "Think you know the Next Gen investor? Think again" ("Você pensa que conhece a próxima geração de investidores? Pense novamente", em tradução livre). Desenvolvida entre 31 de dezembro de 2013 e 07 de janeiro deste ano, a pesquisa entrevistou 1.069 americanos, com pelo menos US$ 50 mil em ativos financeiros.

Esse investidor mais jovem tem um perfil "extremamente conservador", aponta o levantamento. São pessoas que "seguram mais dinheiro do que qualquer outra geração". Questionados sobre sua tolerância ao risco, 34% dos "millennials" se declaram pouco ou muito conservadores, enquanto apenas 5% dos entrevistados nessa faixa se consideram agressivos na hora de investir. Já entre a geração X, cujas idades vão dos 37 aos 48 anos, apenas 23% disseram ter um perfil pouco ou muito conservador, 11 pontos percentuais abaixo do apontado pela geração Y.

A pesquisa aponta a crise de 2008 como fator chave para explicar o conservadorismo da geração Y. Segundo o estudo do UBS, "os millennials vivenciaram a crise financeira, a volatilidade que atingiu todos os setores e os problemas relacionados ao mercado de trabalho - tudo isso muito cedo em suas carreiras. Essa experiência teve um impacto significante em suas mentalidades".

Se a tolerância a risco da geração do milênio já é conservadora, a média das alocações desse grupo é extremamente conservadora, ressalta o documento. Para se ter uma ideia, na média, os mais jovens mantêm mais da metade ou 52% dos recursos em caixa. Já nas demais gerações esse percentual cai para 23%.
Além disso, 58% dos entrevistados da geração do milênio mantêm aplicações com alta liquidez e baixo risco, como Certificados de Depósitos Bancários (CDs, na sigla em inglês) ou fundos mútuos abertos (MMFs, também na sigla em inglês), que investem em títulos do governo, certificados de depósito e outros valores mobiliários - aplicações seguras e de alta liquidez.

A pesquisa enfatiza ainda que 28% dos entrevistados investem em ações. A menor parcela, correspondente a 7%, aposta em ativos com maior risco embutido, como produtos estruturados, imóveis, mercado futuro ou de opções e commodities.

Enquanto os jovens investidores preferem montar seu portfólio com ativos mais conservadores, o grupo chamado pelo UBS de "non-millennials", que abrange as demais gerações (a "swing", com idades a partir de 68 anos, a dos "baby bommers", na faixa entre 49 e 67 anos, e a X, que reúne pessoas de 37 a 48 anos), tem apenas 23% da carteira aplicada em ativos líquidos e de baixo risco, enquanto a maior parte da cesta de investimentos (46%) é direcionada para ações. Sem contar que aplicações alternativas, produtos estruturados, imóveis, entre outros, ocupam 15%, mais que o dobro da fatia destinada pelos "millennials" para esses ativos mais arriscados e voláteis.

O levantamento mostrou ainda que os jovens estão mais focados no sucesso pessoal do que em alcançar retornos elevados a partir das aplicações feitas. Cerca de 24% dos entrevistados afirmaram estar mais preocupados em atingir as metas pessoais, e menos em como estão os investimentos diante do mercado. Além disso, 36% responderam que ficariam felizes caso os investimentos ficassem próximos ao desempenho dos ativos no mercado global. Apenas uma pequena parcela (17%) afirmou tentar superar o mercado em taxa de retorno.

Enquanto outras gerações investem em ativos mirando objetivos de longo prazo, grande parte dos "millennials" (69%) diz acreditar no "trabalho duro" como um dos principais fatores que ajudam a atingir o sucesso. Somente para 28% dos jovens investidores as aplicações com foco no longo prazo são importantes na busca pelo sucesso. Já para os chamados "non-millennials", esses ativos são considerados um dos elementos fundamentais para ser bem-sucedido.

Ainda de acordo com o levantamento, uma pequena parcela (14%) dos "millennials" disse contar com um consultor financeiro para ajudar na administração de seus investimentos. A geração Y prefere conversar com companheiro ou companheira, pais e amigos para tomar decisões financeiras. O cônjuge ou companheiro, por exemplo, é citado por 62% dos entrevistados como um bom conselheiro para as finanças.

Após 20 anos, real perde poder de compra, e nota de R$ 100 vale só R$ 22,35


Sophia Camargo

Ao longo de quase 20 anos do Plano Real, a inflação acumulada desde 1/07/1994 até 1/2/2014, medida pelo IPCA, foi de 347,51%.  Assim, um produto que custava R$ 1,00 em 1994 custa hoje R$ 4,47.
O matemático financeiro José Dutra Vieira Sobrinho afirma que, em decorrência desse fato, a cédula de R$ 100,00 perdeu 77,65% do seu poder de compra desde o dia em que passou a circular. Com isso, o poder aquisitivo da nota de R$ 100,00 é hoje de apenas R$ 22,35.

A perda desse poder aquisitivo é calculada por uma fórmula matemática na qual se divide o valor nominal da moeda pela taxa de inflação somada a 1. Quem quiser aprender a calcular a perda do poder aquisitivo da moeda pode acompanhar a explicação do professor Dutra no seu blog.
"O real foi reduzido a quase um quinto do valor em 20 anos", diz o professor. "Mas isso ainda é uma vitória. Porque mesmo passados 20 anos, ela ainda mantém um certo poder aquisitivo. O histórico anterior era de uma inflação que chegava a 5.000% ao ano."

A garoupa virou lambari
"Com essa desvalorização, se o indivíduo ganhava R$ 100 em 1994 agora precisa de R$ 400 para poder atender aos seus desejos", diz o professor de Economia do Insper Oto Nogami. "A garoupa virou um lambari", referindo-se ao peixe que estampa a nota de R$ 100.
A onça também virou um gatinho –a nota de R$ 50 hoje tem o poder de compra de R$ 11,17. Em 20 anos, o valor da moeda de R$ 0,01 praticamente desapareceu.

Isso se deve por conta do efeito da inflação sobre o poder de compra. "A inflação é o  termômetro que mede a diferença entre o desejo de consumir e a capacidade de produzir", diz Nogami.
Quando o desejo de consumir é maior do que a capacidade de produção, os preços sobem.
Inflação é problema crônico no Brasil

O crônico problema brasileiro com a inflação está, portanto, na incapacidade de o país produzir o suficiente para atender à demanda reprimida, ou seja, àqueles que querem consumir e pagam por isso.
"Há também um incentivo inconveniente e imprudente por parte do governo de estimular compras sendo que não há a produção necessária para atender o consumo.

Outro fator que estimulou a inflação foi a queda abrupta da taxa de juros até 2012. A oferta de crédito fez com que as pessoas se sentissem mais "ricas". "O brasileiro partiu para o consumo desenfreado, se endividou, se tornou inadimplente.  E a conta para pagar veio.
Como sair dessa situação?

É simples, diz o professor Nogami. A primeira providência é investir no setor produtivo para adequar as necessidades de produção ao consumo.

O segundo item importante é o investimento em educação. Incluir na grade curricular conceitos fundamentais de finanças pessoais. Ensinar a importância de poupar.

"Sonhos de consumo podem e devem ser realizados, mas mediante um planejamento. Primeiro economizar para realizar o sonho e não antecipar o sonho usando empréstimos e financiamentos que no médio prazo reduzem sua capacidade de consumir", diz.
E, quando o produto estiver caro demais, deixe-o na prateleira. Afinal, quando o produto sobra, as liquidações aparecem.

Nem Marx previu: O capitalismo não sabe o que fazer com o dinheiro


O marxista inglês David Harvey acha que o capitalismo vive um momento difícil. Há muito dinheiro em circulação, mas a maior parte passeia levianamente pelos mercados de capitais, longe da produção, ou repousa nos cofres dos bancos. "Os sinais são de que o capitalismo não sabe neste momento o que fazer com o excedente", disse à repórter Vanessa Jurgenfeld, do Valor.

O geográfo Harvey (sim, a geografia hoje é essencialmente uma ciência marxista; se você tem filhos no ensino médio, dê uma olhada nos seus livros didáticos) esteve no Brasil para lançar um livro de 1982, traduzido agora para o português pela editora Boitempo, "Os Limites do Capital".
O simpático senhor de 78 anos é imensamente popular entre os jovens, uma espécie de guru dos movimentos de rua, já que sua principal área de interesse são os centros urbanos. Pelas estimativas da editora, 4,2 mil pessoas participaram dos quatro encontros realizados em três cidades, Florianópolis, São Paulo e Rio, boa parte na faixa dos 20 anos.
Ele não é só um fenônemo pop-acadêmico passageiro. Harvey foi o 18º autor mais citado na área de humanas em 2007, segundo a publicação britânica Times Higher Education, com dados da Thomson Reuters. Da lista com 37 nomes, ele é o único geográfo, ou seja, é o figurão de sua área. Mais surpreendente: está muito à frente de seu mestre, Karl Marx, que empatou com o também alemão e ultrapop Friedrich Nietzsche, com 501 citações, nas duas últimas posições.

(A lista, dominada por marxistas, diz muito sobre o atual estado dos debates nas ciências sociais e humanidades: o primeiro é o filósofo francês Michel Foucault (2.521 citações), seguido de perto por seu colega pós-modernista Jacques Derrida. Sim, o materialismo anticapitalista do americano Noam Chomsky também chegou lá, em 15º, e por pouco não bateu a pobre metafísica de Immanuel Kant no 13º.)

Se do alto de sua cátedra da City University de Nova York Harvey está preocupado com o excesso de capitais, todos nós devemos estar. No entanto, ele não parece esperar um fim próximo para capitalismo -- como era o caso de Marx e seu parceiro Friedrich Engels, que viam em cada crise do capitalismo o prenúncio dialético da nova era socialista. Foram muitas crises desde então, e os dinossauros capitalistas insistem em não desaparecer para dar espaço ao paraíso na terra.

Harvey sabe que não vai ser por aí. Na entrevista de uma página, ele fala em coisas mais pragmáticas, uma delas seria tirar o Partido Democrata americano das mãos de pessoas "próximas a Wall Street" e, a partir daí, tentar algumas "reformas revolucionárias", como cortar a jornada de trabalho de 10 horas para 3 horas. (A redação do Valor está animada com essa possibilidade, mas ainda não sabemos se os acionistas vão acompanhar nosso entusiasmo.)

O que Harvey não fala (não foi perguntado, diga-se a seu favor) é como está o socialismo no mundo real, se imaginarmos que ele também usa esses dados ao elaborar sua crítica ao capitalismo. O silêncio pode querer dizer que a Coreia do Norte resolveu todos seus problemas desde que o ditador Kim Jong-un executou seu tio (jogou aos cachorros?) e mandou sua família para um campo de concentração ou que as vibrantes economias da Venezuela e de Cuba estão a um passo de ser modelos da sociedade perfeita.

Não seria absurdo imaginar que um leitor de Harvey pudesse se perguntar por quê, diante de tantos exemplos de fracasso do modelo socialista, ainda estamos aqui perdendo tempo com esse assunto. A lista dos mais citados da Times Higher Education tem uma resposta: nossa aposta é o fracasso.

O lobo de Wall Street e as matilhas de nossas empresas - Estratégia de Sobrevivente




Adriana Salles Gomes é editora-chefe da revista HSM Management
Jordan Belfort, o controverso personagem interpretado por Leonardo di Caprio no novo filme de Scorsese, explicita princípios e rituais de muitas empresas e sugere o debate: em que medida estes as distanciam dos clientes e da sociedade?

As declarações corporativas de missão, visão e valores surgiram para formalizar o comportamento que as empresas esperam ver em seus funcionários. Além de motivo frequente para piada interna, são um dos alvos preferenciais das ótimas ironias que o professor de filosofia Clóvis de Barros faz em suas palestras para executivos, porque costumam ser um balaio de gatos. Contêm sentimentos nobres como ética, transparência, preocupação com o cliente e com o futuro do planeta e, no meio, incluem algo do tipo “foco no resultado”.

Como foco implica concentrar-se em algo em detrimento de todo o resto, fica impossível o funcionário praticar tais valores, porque sempre há momentos em que lucro e ética, ou lucro e transparência, ou lucro e futuro, serão autoexcludentes.

A dúvida é se essas declarações incoerentes demonstram apenas uma falta de familiaridade com o português ou se são um arroubo de sinceridade no meio do mar politicamente correto. Qual é a aposta do leitor?
Eu sei que a mesma sinceridade no mar politicamente correto é o que está incendiando o debate sobre o novo filme de Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street, que estreia no Brasil nesta sexta-feira. Ele vem recebendo uma saraivada de críticas por mostrar, de maneira humanizada, um personagem que enganou e prejudicou muita gente (com sua corretora Stratton Oakmont), sem condenação ostensiva.
Na minha visão, o maior incômodo com o filme não se deve à glamourização do faroeste em busca do dinheiro, com orgias de sexo e drogas (o que também podemos acompanhar em uma história mais próxima de nós, na minissérie “Serra Pelada”, exibida pela TV Globo). O que está pegando mesmo é que, apesar de ter atuado nos anos 1980 e 1990, o Jordan Belfort de Leonardo di Caprio é assustadoramente parecido com muita gente que conhecemos (ou até com quem nos tornamos, talvez).

Veja bem: ele tem foco no resultado (em detrimento de ética, transparência, preocupação com o cliente e com o futuro do planeta) e usa quase todas as ferramentas que a maioria das empresas adota hoje.
Talvez Scorsese e Di Caprio (que está soberbo no papel, diga-se de passagem) nos tenham dado uma oportunidade de ouro de repensar um pouco os princípios e rituais do mundo corporativo.

Alguns rituais são folclóricos e soam inofensivos, como o do vendedor (o corretor de ações, no caso da corretora de Jordan Belfort) dizendo aos clientes que vai transferi-los para um assistente para fechar os detalhes do negócio, atribuindo-se uma importância do que a que tem. Ou como o de a empresa nomear vários vice-presidentes entre os vendedores para o cliente sentir-se importante sendo atendido por alguém de alto escalão. Até em relação a estes tenho dúvidas: será que essas pequenas mentiras empreendedoras não abrem as porteiras mentais de cada um para mentiras maiores e piores?

Vou me concentrar em quatro pontos principais e em seu paralelo com o meio de negócios atual: o ambiente de trabalho que Belfort construiu em sua corretora, seu modo de recrutar pessoas, as técnicas de motivação que ele usa e seu estilo de liderança.

O ambiente de trabalho. Criar um clima de confiança na equipe virou o santo-graal da área de recursos humanos das empresas de uns tempos para cá. É claro: em um lugar onde todos desconfiam de todos, fica difícil fazer coisas que deem dinheiro. Vê-se na corretora de Belfort um sentimento de confiança e camaradagem raro, de uma equipe que se ajuda mutuamente, que é construído por meio de muita convivência em momentos de lazer, sendo festas ou brincadeiras (algumas terríveis, como a do tiro ao alvo de anões).

O modo de recrutar pessoas. O pensamento mais contemporâneo nessa área é de que tudo dá certo (ou dá errado) na contratação da pessoa, porque formar alguém do zero é complexo. Assim, busca-se contratar pessoas que compartilhem os valores da empresa contratante e que sejam automotivadas para fazer as coisas. Pelo que o filme mostra, Jordan Belfort contratava pessoas de alguma maneira marginalizadas pela sociedade (obesos, gente com pouco estudo, mães solteiras etc.) e que precisavam muito de dinheiro. Hoje tem muita companhia no Brasil que já prefere contratar jovens de famílias de renda mais baixa, mais ambiciosos e mais dispostos a dar o sangue.

A publicidade da corretora, que usava um leão como garoto-propaganda, e a matéria que chamou Belfort de “lobo de Wall Street” contribuíam para atrair as pessoas certas.

As técnicas de motivação. Em meados da década de 1990, a revista Industry Week publicou uma lista das 20 melhores técnicas de motivação sugeridas por especialistas de recursos humanos nos Estados Unidos, compilada por uma consultora de RH, Shari Caudron. Acho que é uma das melhores listas de motivadores que já se fez até hoje, apesar de se terem passado quase 20 anos, bem pé-no-chão e extra-modismos. Em outras palavras, se um número razoável de empresas brasileiras recorresse a essas técnicas, o que não acontece, estaríamos no paraíso.

1. Dar aos empregados as informações necessárias para a realização de um bom trabalho. 2. Dar feedback regular. 3. Solicitar-lhes ideias e envolvê-los nas decisões sobre suas funções. 4. Criar canais de comunicação fáceis de usar. 5. Aprender com eles sobre o que os motiva. 6. Saber o que fazem em seu tempo livre. 7. Cumprimentar pessoalmente cada empregado por um trabalho bem feito.8. Reconhecer o poder de sua presença física, em sua posição de chefia. 9. Enviar uma mensagem escrita ao empregado, elogiando seu desempenho. 10. Reconhecer publicamente um trabalho bem feito. 11. Promover reuniões destinadas a comemorar o sucesso do grupo. 12. Dar ao empregado uma tarefa interessante para executar. 13. Verificar se o empregado dispõe das ferramentas para realizar o melhor trabalho. 14. Reconhecer as necessidades pessoais dos empregados. 15. Usar o desempenho com base para a promoção. 16. Adotar uma política abrangente de promoção. 17. Enfatizar o compromisso da empresa com a manutenção do emprego no longo prazo. 18. Estimular o senso de comunidade. 19. Remunerar as pessoas de forma competitiva, em função do que elas valem. 20. Dar uma razão financeira para serem excelentes, como participação nos lucros.

Jordan Belfort aplicava as 19 técnicas (só não cravo nas 20 porque não há informações sobre participação nos lucros). Sheri Caudron também listou cinco desmotivadores principais, que infelizmente encontramos em várias empresas brasileiras: oferecer recompensa curinga (do tipo sempre a mesma no fim do ano), não ser específico ou oportuno no elogio, usar ameaças ou coação, não cumprir promessa feita, tratar empregados de modo burocrático e não como indivíduos diferenciados.

O estilo de liderança. Talvez Leonardo di Caprio seja bem mais cativante que Jordan Belfort; dê uma olhada no vídeo abaixo e você verá que ele não consegue obter o silêncio da galera enquanto fala. Isso mostra também, contudo, que as pessoas não o temem. Ele carrega a marca do bom humor, da descontração e da brincadeira em seu estilo de liderança.

E ele mescla o estilo amigão com discursos de Henrique V eventualmente. (Como nos conta uma peça do Shakespeare, o rei inglês fez, só no gogó, seus soldados vencerem uma batalha quando estavam em total desvantagem em relação ao inimigo; falou em honra e em glória etc. com palavras fortes e de grande impacto.)

DISTANCIAMENTO
Esses princípios e rituais não são ruins em si. Certo? Ao contrário, Jordan Belfort fazia várias coisas que consideramos boas! (Talvez por isso tenha incrivelmente conseguido se reinventar como consultor motivacional, apesar de parecer péssima a ideia de contratar alguém tão inescrupuloso para motivar funcionários.)
Só que repare: nenhuma delas consegue levar seu funcionário a colocar-se na pele do cliente ou na de outros stakeholders (palavra em inglês que significa partes interessadas na empresa e que abrange desde os acionistas até os moradores vizinhos da empresa, passando por fornecedores, clientes, distribuidores, funcionários etc.).

No jornalismo, usamos a expressão “na pele do lobo” para as ocasiões em que um repórter faz-se passar por um cidadão comum para mostrar o que esse cidadão enfrenta de verdade, fugindo das informações oficiais e distorcidas.

Também no universo corporativo, o profissional de uma empresa deve vestir a pele do lobo. O cidadão, seja ele cliente direto da empresa ou representante da sociedade como um todo, é o lobo que deve nortear suas iniciativas. Não o foco no resultado. Esse precisa ser decorrência, senão não chegaremos a lugar algum que preste como seres humanos – e nossos negócios afundarão, como aconteceu com o do Jordan Belfort.

O leitor pode argumentar, com razão, que Wall Street não é os Estados Unidos, e que os Estados Unidos não são o Brasil. Ou que nos anos 1980 e 1990 havia uma ânsia por dinheiro muito maior do que a atualidade. Mas o fato de que Belfort se recolocou no mercado como consultor motivacional significa, como dizem por aí. Scorsese sabe o que está fazendo. “O lobo de Wall Street” pode ser tão incômodo quanto olhar no espelho em dia em que a gente está se sentindo feio. E, se prestarmos atenção aos detalhes, pode nos ensinar onde e como melhorar.

PS 1: Preciso dizer que nem todas as missões de empresas são como essas citadas por Clóvis de Barros. A missão do Grameen Bank de Muhammad Yunus, que tem fins lucrativos e gera lucro apesar de conhecido como o banco dos pobres, é transformar a pobreza em peça de museu. Yunus, de Bangladesh, foi prêmio Nobel da Paz.

PS 2: A título de curiosidade, os valores da Siemens são “a melhor performance com a maior ética”, o que ela traduz para seus funcionários como eles tendo de priorizar três características – ser responsável, ser excelente e ser inovador. Já osvalores da Alstom são confiança, time, ação.

PS 3: Algo que lamentarei bastante é se o filme de Scorsese sabotar os mercados secundários de papéis de empresas que começam finalmente a erguer-se no Brasil, seja por meio dos fundos de private equity, seja pelo novo mercado de renda fixa (para títulos de dívida, não de ações). Como Jordan Belfort e seus comparsas manipulam absurdamente essas ações de empresas não listadas em bolsa, isso pode impactar os humores em relação a esse mercado.

Estou batendo na madeira três vezes para que isso não ocorra. É muito importante para nós que esses mercados de acesso se fortaleçam, para que as empresas tenham mais alternativas de captação de dinheiro que não sejam cair nas mãos dos juros bancários e, assim, possam investir em produção. (E para que os investidores tenham mais alternativas também.)

Corporate Zombie Chino - Chinês remarca passagem por um ano para comer de graça em aeroporto.




Por Charles Nisz | Vi na Internet – ter, 28 de jan de 2014

Aeroportos, geralmente, são lugares de passagem. Seja para quem faz viagens curtas a negócio, seja para quem embarca em longas jornadas, aeroportos são lugares cheios de gente, com preocupações sobre segurança e bagagens. Mas para quem viaja em primeira classe, as coisas podem ser mais interessantes. Um chinês resolveu explorar essa diferença entre os passageiros de maneira brilhante.
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O rapaz resolveu remarcar sua passagem de primeira classe em um voo da China Eastern Airlines mais de 300 vezes durante quase um ano para comer de graça no aeroporto de Xian, em Shaanxi, China. Ele tinha uma passagem agendada e, com isso, ia ao lounge do aeroporto comer de graça. No dia seguinte, ele remarcava a passagem, comia de graça e voltava para casa. Repetiu o processo por quase um ano.

Tantas remarcações de voo acabaram por chamar a atenção da companhia aérea chinesa. O homem fez isso até o dia 26 de janeiro de 2014. Quer saber qual é a parte mais genial da história? Ao ser descoberto pela China Eastern Airlines por causa dos reagendamemtos, ele cancelou a passagem e obteve o reembolso total do custo do voo. Muito esperto, não é? (vi no site Gizmodo.com, dica do @elgroucho)

Sistema avançado de Zumbificação.


80% dos brasileiros não controlam suas finanças



Segundo pesquisa, apenas 18% dos entrevistados têm bom conhecimento sobre as finanças pessoais
Márcia De Chiara

São Paulo - Apesar do recuo da inadimplência para níveis históricos, o brasileiro ainda tem pouco conhecimento sobre as suas finanças, independentemente do estrato social.
Oito em cada dez entrevistados não sabem como controlar as despesas, revela uma pesquisa nacional feita em dezembro com cerca de 650 pessoas pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
A enquete mostra que apenas 18% dos entrevistados têm bom conhecimento sobre as finanças pessoais. A economista do SPC Brasil, Luiza Rodrigues, destaca que esse resultado praticamente se repete para todos os estratos sociais.
Em 84% dos domicílios com renda mensal de até R$ 1.330, o chefe da família tem parcial ou nenhum conhecimento sobre as finanças da casa.

Essa fatia cai para 86% no caso das famílias com rendimentos entre R$ 1.331 e R$ 3.140 e recua para 76% para aquelas com receita acima de R$ 3.141. Mas ainda é um porcentual alto.
"O consumidor adulto se mostra muito pouco preparado em relação às finanças pessoais", afirma Luiza. A economista ressalta que há uma relação direta entre saldo negativo na conta corrente e o baixo conhecimento financeiro.

Quase 70% daqueles que têm baixo ou nenhum conhecimento sobre as finanças pessoais termina o mês no vermelho ou no zero a zero na sua conta corrente. Esse resultado recua para 29% para aqueles que acompanham as suas receitas e despesas.
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Descontrole
Um dado que chamou a atenção é que mais de um terço dos entrevistados (36%) sabiam um pouco ou nada sabiam sobre as contas regulares que deveriam pagar este mês, com resultados muito parecidos para as três faixas de renda analisadas.
No caso das despesas extras de início de ano, mais da metade (57%) não sabia exatamente quanto deveria gastar a mais. Há também falta de conhecimento do lado das receitas, com 40% dos entrevistados declarando não ter informações exatas sobre a renda.

A principal dificuldade apontada pelos consumidores de todas as classes sociais para controlar as finanças pessoais foi a disciplina para registrar gastos e receitas com regularidade, com 39%. Mas fazer contas é tido como um problema para 6% dos entrevistados. Esse resultado dobra (12%) no caso do estrato com menor renda.

Fôlego
Além da falta de controle das despesas e receitas, outras informações relevantes reveladas pela pesquisa são o ímpeto do consumidor para ir às compras e a falta de fôlego financeiro: 38% dos entrevistados informaram que às vezes, ou nunca, avaliam a sua situação financeira antes de adquirir um bem.
A falta de reservas financeiras é nítida quando se avalia que mais da metade (55%) dos entrevistados não conseguiriam se manter por mais de três meses em situação de dificuldade. "Como o tempo de recolocação no mercado de trabalho é de sete meses, esse resultado é preocupante, se houver um tropeço no emprego", diz a economista.

A escassez de controle dos brasileiros sobre as suas finanças ocorre num momento em que os índices de inadimplência registram baixas históricas. Na avaliação de Luiza, esse cenário não é contraditório com a falta de rigor nas finanças pessoais porque o principal fator, na sua opinião, que levou ao recuo do calote foi a cautela do sistema financeiro na aprovação de novos créditos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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  Sergio Eduardo Pereira de Andrade

Corrupção rouba até 2,3% do PIB brasileiro




Legislação, aprovada na esteira das manifestações de junho, entra em vigor hoje com a figura de “pena de morte” a empresas que corrompem servidores públicos para obter benefícios
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CARLA JIMÉNEZ São Paulo  

Manifestantes no Rio, em 2013. / RICARDO MORAES (REUTERS)
As manifestações de junho do ano passado continuam rendendo frutos, e a lei anticorrupção, que punirá empresas envolvidas em atos ilícitos contra o poder público, é um deles. A nova legislação passa a valer neste dia 29 e pretender ser mais uma ferramenta para estancar o dreno de recursos que a corrupção representa no Brasil. Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), elaborado em 2012, projetava que entre 1,38% e 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) se perdiam entre ações corruptas no país. Levando em conta o último PIB consolidado disponível, do ano de 2012, que fechou em 4,4 trilhões de reais, isso equivale a, no mínimo, uma perda nominal entre 61,7 bilhões reais e 101,2 bilhões de reais.

Não se sabe ao certo se esse número é próximo da realidade, até porque é difícil captar atos ilícitos que estão em andamento neste exato momento, nos subterrâneos do poder e das corporações. Mas, independentemente dos valores envolvidos, a corrupção é uma praga que revolta os brasileiros, que pagam impostos compulsoriamente, e não recebem seus benefícios de volta. O quadro atual coloca o país na posição 72, entre 177 países no mundo, no Índice de Percepção da Corrupção (Corruption Perception Index), de 2013, elaborado pelo grupo Transparency International. A lei, inaugurada hoje, vai punir empresas envolvidas em atos que venham a lesar o erário do Estado, em todas as esferas, como suborno de funcionários do poder público.

Ou seja, com anos de atraso, o Brasil passa a punir também as empresas que corrompem, e não só o agente corrupto. “Esta lei vem fechar um quebra-cabeça fundamental”, afirma Pierpaolo Cruz Bottini, professor-doutor de direito penal da Universidade de São Paulo. “Até agora as punições estavam direcionadas à pessoa física. Processava-se o funcionário, o dirigente público e a empresa ficava impune. Agora, ela será punida de forma objetiva, não importa se sabia ou não das falcatruas em andamento. Se foi beneficiada, ela será multada”, explica Bottini.

Inspirada nas regras já vigentes em países como os Estados Unidos (com o Foreign Corruption Practice Act) e a Inglaterra (Bribery Act), a nova legislação estabelece multas de que variam de 0,1% a 20% do faturamento bruto da empresa processada, nunca abaixo da vantagem obtida, caso esta seja auferida. Se não for possível levantar essa cifra, a previsão é de aplicação de multa variável entre 6.000 reais e 60 milhões de reais. E no limite, instaura a figura da “pena de morte” da pessoa jurídica, ou seja, estabelece a possibilidade de dissolver uma empresa envolvida em delitos. “É uma lei extremamente pertinente ”, celebra Leo Torresan, da Amarribo, organização sem fins lucrativos de combate à corrupção.

Mais do que isso, passa a punir os agentes da cadeia de valor de uma companhia. Se algum fornecedor estiver envolvido em ações nebulosas, a sua contratante é alvo da lei. Assim, a atuação de consultorias, despachantes, ou empresas fictícias criadas com o único fim de obter vantagens financeiras torna-se evidência objetiva, passível de pena severa. Esse aspecto da nova lei é elogiado pelo promotor Marcelo Mendroni, do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Gedec), do Ministério Público de São Paulo. “A lei vem preencher uma lacuna importante. As empresas fictícias são o meio mais utilizado para a lavagem de dinheiro no Brasil”, diz o promotor, que cuida do caso de formação de cartel de empresas fornecedoras de material para o metrô de São Paulo, que inclui as multinacionais Siemens e Alstom.

O cartel do metrô no Estado paulista foi denunciado, em delação premiada, pela própria Siemens no ano passado, revelando supostos subornos a agentes públicos, e também a atuação de empresas prestadoras de serviço que faziam a ponte entre a multinacional e funcionários públicos. Também em São Paulo, está em curso uma investigação, levantada pela Controladoria Municipal, sobre a atuação de 30 construtoras suspeitas de terem pago 29 milhões de reais em propinas para auditores fiscais da Prefeitura de São Paulo, em troca de um desconto de 50% no valor total de um imposto municipal.

Para José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da a corrupção afeta negativamente a atividade econômica e a competitividade do país como um todo. “Ela aumenta o custo do investimento produtivo, prejudica a estabilidade do ambiente de negócios, inibe os investimentos externos, diminui a arrecadação e altera a composição dos gastos governamentais, além de distorcer a concorrência, e abalar a confiança no Estado”, afirma. O estudo da Fiesp aponta que, no mínimo, a corrupção equivale a 7,6% do investimento produtivo na economia, ou  a 22,6% do gasto público em educação nas três esferas.

A nova legislação já movimenta o mundo corporativo brasileiro, que vai procurar se adaptar às novas exigências. Para Pablo Cesário, gerente-executivo da Confederação Nacional da Indústria, as empresas, a partir de agora, devem adotar programas de combate à corrupção. Mas, Cesário chama a atenção para um fato importante para onde a legislação precisa avançar. “Compete ao Estado proteger empresas que denunciem atos de corrupção praticados por agentes públicos, prevenindo eventuais retaliações”, diz Cesário. Ou seja, as empresas devem ter espaço para denunciar um gestor público que venha a solicitar dinheiro em troca de alguma autorização ou licença que compete ao poder público liberar para a companhia.
No Brasil, várias empresas que tentaram denunciar achaques de funcionários públicos, inclusive na mídia, passaram a ser “perseguidas” por fiscalizações exageradas. Além disso, a falta de punição frustrava empresários, que preferiam aceitar o pedido de suborno a atrasar projetos em andamento por falta de algum documento. Uma pesquisa sobre corrupção revela que só 50% das empresas no país acreditam que denunciar pedidos de propina de funcionários públicos surtem efetivamente efeito.

O promotor Marcelo Mendroni também sublinha a necessidade de fortalecer o próprio corpo da Justiça e o treinamento de seus funcionários lei para que ela possa ser aplicada. “As três engrenagens precisam funcionar juntas: legislação, estrutura e treinamento”, diz. Cabe também à sociedade o papel de cobrar a sua execuação, avalia o cientista político Wagner Pralon. “Muitas vezes a vontade popular coloca alguns itens, como este, na pauta, mas é preciso manter a antenas ligadas”, afirma. Em outras palavras, a nova lei anticorrupção é um passo muito importante, mas é só o começo de um caminho longo pela frente.

Bill Gates prevê que em 2035 quase não haverá países pobres


O multimilionário americano Bill Gates previu que em 2035 quase não haverá países pobres no mundo todo, um prognóstico baseado nos progressos favoráveis na luta contra a pobreza extrema alcançados nas últimas décadas.

O filantropo considerou, em entrevista nesta terça-feira à Agência Efe, que esse objetivo é "absolutamente" factível, e destaca especialmente o progresso na América Latina, onde acredita que em duas décadas pode não haver países pobres, apenas com a possível exceção do Haiti.

Gates detalha sua audaz previsão em carta anual da Fundação Bill e Melinda Gates, divulgada hoje, e que tenta derrubar três mitos muito comuns sobre a ajuda ao desenvolvimento: que os países pobres estão condenados a seguir sendo assim; que essa ajuda é desperdiçada pela má gestão e corrupção, e que salvar vidas nos países mais pobres gera um excesso de população.

No documento, Gates rejeita com argumentos e fatos todos esses mitos e afirma pelo contrário que "o mundo está melhorando", embora "em câmera lenta", já que a imagem mundial da pobreza "mudou completamente durante o transcurso da minha vida".

Lembra que a pobreza extrema passou em poucas décadas de 35% a 15% da população mundial, motivo pelo qual diz que "é mais importante que nunca medir os resultados e explicar as boas notícias".
Por isso, Gates se atreve a fazer o atrevido prognóstico que "em 2035 quase não haverá países pobres no mundo", segundo diz na carta, e afirma na entrevista que o progresso do mundo faz com que "o tempo esteja do nosso lado", já que "vimos que coisas funcionam e quais não funcionam".

Gates destaca o exemplo da América Latina, onde países como o México e Brasil já são considerados "de renda média" mesmo "ainda restando trabalho a fazer" na luta contra a pobreza.

Por isso, considera que países considerados agora de baixa renda, como Bolívia, Nicarágua, El Salvador e Guatemala, poderiam estar a ponto de iniciar algo para, em 2035, estar nos níveis atuais de México e Brasil.
"Ficaria assombrado se em 2035 houvesse algum país de nosso hemisfério, com a possível exceção do Haiti, que não esteja fora da categoria de baixa renda", afirmou.

Bill Gates reconhece que tirar bilhões de pessoas da pobreza no mundo todo aumenta o consumo de energia e o risco da mudança climática, o que considera "um dos problemas do sucesso", como o aumento da obesidade.
No entanto, ressalta que a maior responsabilidade das emissões de efeito estufa reside ainda nos países mais ricos, embora considere que se pode seguir lutando "em paralelo" contra a pobreza e contra a mudança climática.
Em todo caso, deixou claro que "os mais pobres de todo o mundo merecem as coisas que nós não valorizamos", como ter eletricidade ou uma geladeira, "portanto devemos dar-lhes energia sem gás carbônico".

Gates, o homem mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em US$ 78,5 bilhões no último dia 31 de dezembro pelo índice Bloomberg de multimilionários, reconheceu que o principal objetivo da carta é conseguir que os governos mantenham ou aumentem os níveis de ajuda ao desenvolvimento, já que a filantropia privada "não pode preencher os vazios".

Perguntado sobre o relatório que a ONG Oxfam divulgou nesta segunda-feira sobre o aumento das desigualdades econômicas no mundo todo e a concentração da riqueza em cada vez menos mãos, Gates apontou que isso não significa que esteja aumentando o número de pobres no mundo.
Ao contrário, afirma que por não haver uma quantidade limitada de dinheiro em nível global, se a educação melhora e as crianças têm melhor nutrição, "o volume da riqueza mundial aumenta e todo o mundo se beneficia disso".

Sem ser perguntando, disse que sua fortuna pessoal se destina "a ajudar aos pobres. Está temporariamente em minha conta bancária, não a consumo".

"O consumo é o que devemos olhar. Há mais gente que pode comprar telefones celulares ou o suficiente para comer, ou uma geladeira. O progresso é fenomenal, não acabou, mas é fenomenal", insistiu.
Em nível mais pessoal, Gates, de 58 anos e que desde 2008 já não exerce funções executivas na Microsoft para se dedicar totalmente à fundação, afirma sentir-se "uma pessoa muito afortunada" por ter podido exercer "dois dos melhores trabalhos do mundo".

Lembrou seu trabalho como cofundador e executivo da Microsoft como "provavelmente o melhor do mundo", já que lhe permitiu dar forma à revolução informática que mudou o planeta nas últimas décadas.
O mesmo pensa de seu trabalho atual na fundação, que lhe valeu em 2006 o Prêmio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional, que "é o mais divertido", já que "tem impacto" e "salvamos muitas vidas".
"É o que vou fazer durante o resto da minha vida e não poderia desfrutar mais", concluiu.

Um brasileiro é furtado a cada 38 horas em Miami e Orlando



Dados do Consulado mostram que, em 2013, houve 224 ocorrências nas principais cidades da Flórida; em 2012, foram 117 furtos
iG Minas Gerais | RODRIGO FREITAS | 17/01/2014 04:00:00

FERNANDA CARVALHO / O TEMPO

Ingrata surpresa. Marcelo Faria Peito teve as malas roubadas de dentro do carro em um estacionamento em Miami, nos EUA
“Paramos num estacionamento e deixamos as malas dentro do carro que tínhamos alugado. Fomos lanchar. Em dez minutos, não havia mais nada dentro do veículo”. Essa história pode até parecer relato de turista que foi furtado no Brasil. Mas, o caso verídico é do administrador Marcelo Faria Peito, 49,de Belo Horizonte, e aconteceu em Miami, nos Estados Unidos. Ocorrências do tipo têm se tornado cada vez mais frequentes naquele país.

No ano passado, foram 224 ocorrências de furtos a brasileiros nas duas principais cidades da Flórida – Miami e Orlando –, segundo dados do Consulado-Geral do Brasil em Miami. É uma média de um furto a turista brasileiro a cada 38 horas. Em 2012, a média foi de um caso a cada 3,1 dias (117 ocorrências), praticamente a metade dos casos de 2013. Em 2011, foram 126 furtos a brasileiros: média de um crime a cada 2,8 dias.

O caso do administrador Marcelo Faria Peito, que viajou à Flórida com dois amigos em outubro de 2013, é emblemático e diz muito sobre as características de brasileiros que viajam aos EUA. Despreocupados por estarem no primeiro mundo, eles acham que a possibilidade de crimes ocorrerem é ínfima. “Quando olhei para as malas, falei para meu amigo: ‘Vamos deixar aqui mesmo, sem proteção?’. Ele respondeu: ‘Você não está no Brasil. Aqui é primeiro mundo”, conta Marcelo.

O grupo de amigos tomou um prejuízo de US$ 10 mil. “Só eu tinha comprado acho que uns dez pares de tênis. Eu fiquei com a roupa do corpo. Um dos meus amigos tinha comprado instrumentos musicais”, diz Marcelo, que procurou a polícia local, mas não teve o caso resolvido. “Pegaram nossos emails, mas não deu em nada. Estou esperando até hoje”.

A lição para o administrador ficou clara após o episódio. “Agora, fico mais atento. Não me preocupa se é primeiro mundo ou terceiro, o negócio é ficar atento para evitar esse tipo de situação que me ocorreu. Fiquei com a impressão de que Miami é mais perigosa do que Orlando. Miami tem gente do mundo inteiro. Orlando é mais tranquila”, avalia.

FAMÍLIA. História parecida tem a artesã Rosângela Oliveira Astone, 59, que viajou com a família por 35 dias, percorrendo diversas regiões dos EUA. No fim do périplo, a família teve as três malas que estavam no bagageiro do carro roubadas. “Foi uma decepção quando entramos no estacionamento. E olha que era estacionamento fechado, vertical. Eu nunca pensei que isso pudesse acontecer ali. E não sou preocupada com essas coisas. Nem sequer costumo trancar malas”, conta a artesã, que mora em Vila Velha (ES).
A família de Rosângela chegou a procurar a polícia local, mas a recepção não foi das melhores. “A polícia tratou a gente muito mal, como se não fôssemos ninguém. Meu marido desistiu de continuar os trâmites”, conta.

O Brasil ainda está longe de ser um país de classe média



Por Gustavo Andrey Fernandes

Dentro da lógica capitalista, novos consumidores são sempre bem vindos. O crescimento da demanda abre a possibilidade de novos negócios, sendo uma das características do empresário bem sucedido a compreensão de demandas emergentes e o fornecimento de novos produtos.
Dessa forma, mercados de bens de alto valor podem surgir, bem como de produtos a preços módicos, produzindo em ambos os casos o desejado aumento dos lucros. Este é comportamento que se espera em uma economia capitalista.

O fenômeno dos rolês, no entanto, mostra que esse saudável mecanismo parece não ter grande vitalidade na economia brasileira. A decisão da associação dos Shoppings Centers em impedir a ocorrência do "passeio de turma de adolescentes" - o real significado da gíria rolê - indica justamente o sentido contrário.
A capacidade de consumir divide a sociedade de forma mais pronunciada do que a cor ou a origem étnica
De fato, o mandado de segurança demonstra que o empresário do setor avaliou não valer a penar entender esse jovem consumidor, visando transformar o potencial de ganhos em realidade. Ao entrar na Justiça, deixou claro sua rejeição, contentando-se com isso com o atual conjunto de consumidores.
E, evidentemente, tal recusa de atendimento provoca o repúdio do jovem consumidor, como provocaria em qualquer cliente que fosse maltratado em um estabelecimento. Dificilmente teríamos movimentos violentos se o setor estivesse pronto para ofertar produtos para esse segmento. Não é difícil pensar em shows e produtos mais acessíveis.

Haveria então um despreparo dos empresários do setor?
A resposta também é não. Shoppings Centers se tornaram paraísos de consumo nos últimos trinta anos, verdadeiras promessas de segurança e ascensão social. No JK, por exemplo, temos a realização do consumo de classe alta, buscando a integração ao padrão de consumo de elite europeu e americano. Em Itaquera, por sua vez, temos a satisfação do ingresso na classe média, entendida miopemente como a mera capacidade de adquirir bens.

Além do mais, em uma sociedade que falhou na construção de espaços públicos de convivência - veja a carência de parques, praças, etc. - uma área privada se constitui na grande opção paulistana para o convívio coletivo. Quantos namoros começaram em um shopping em vez de em um passeio público à beira do rio Tietê ou Pinheiros? Dar um "rolê em um shopping center" - a praia do paulistano - é, portanto, convite irresistível, a mescla de "status", ascensão e convívio público.

A recusa de atendimento a um consumidor de baixa renda, que é o jovem dos rolês, significa logo uma tentativa de preservação desta "Meca" da ascensão social, isolada, como se tudo que ocorresse fora não importasse. Contudo, as razões para isto não devem ser resumidas a um conflito entre classes ou o mero resultado de preconceito.

Ao embutir no seu produto o preço do status, o empresário pode ampliar sua margem, aumentando seus lucros. O outro lado da moeda é que isso implica que indivíduos que são desprovidos de status no imaginário social não devem participar do ato de consumir, pois, caso contrário, não há status. Ou seja, o empresário opta por ganhar vendendo um produto mais caro e com status do que lucrar pela quantidade.
Naturalmente, esse fenômeno somente é possível dado um baixo nível de competição da economia brasileira, fruto da desigualdade social e do baixo nível de renda, o que permite sustentar preços elevados a um público que tolera pagar valores mais altos para consumir status.

Isto explica os motivos pelos quais carros no Brasil tendem a ser tão mais caros do que no estrangeiro, inclusive quando comparados aos equivalentes europeus, cuja carga tributária também é alta.
A avidez por status social, permitindo um sobrepreço, é um traço histórico de nossa economia, pois, desde o início da ocupação portuguesa em 1500, sempre houve uma elite com capacidade de consumo similar à verificada nos grupos mais abastados dos países ricos do mundo. A capacidade de consumir, portanto, no Brasil, divide a sociedade de forma mais pronunciada do que a cor da pele e a própria origem étnica.
Nesse contexto, o ato discriminatório dos lojistas contra quem tem menos status na sociedade é esperado e, inclusive, racional.

Em qualquer livro de microeconomia, aprendemos que o produtor em uma economia capitalista busca discriminar seus clientes, conforme a quantidade almejada e sua vontade de pagar por um bem. No entanto, a teoria também ensina que isso reduz a eficiência econômica, visto que, possibilidades de comércio são perdidas. Em outras palavras, a custo do maior lucro do produtor, a sociedade fica mais pobre.

O atendimento ao consumidor do rolê acarreta a alteração da lógica econômica nacional, passando o lucro a decorrer da quantidade elevada vendida e não do preço astronômico praticado ao associar consumo ao status. A resposta da associação dos empresários ao fenômeno do rolê, portanto, se racionaliza pela tentativa de preservação das margens mais elevadas, via manutenção do status do shopping center, de paraíso das compras. Ao negar atendimento a um importante cliente, constata-se claramente que, a despeito do suposto milagre da classe média emergente, o caminho para uma sociedade de massas ainda é longo. A dura verdade é que ainda estamos muito longe de ser um país de classe média.
Gustavo Andrey Fernandes é doutor em economia e professor do departamento de Gestão Pública da EAESP-FGV.

4 lições do filme O Lobo de Wall Street para os investidores



A versão cinematográfica da trajetória do ex-corretor de ações Jordan Belfort tem alguns ensinamentos para quem estava do outro lado da sua linha telefônica

Julia Wiltgen, 

São Paulo – “O Lobo de Wall Street” só estreia no Brasil nesta sexta-feira, mas a pré-estreia já está fazendo bastante barulho. Com humor nervoso e angustiante, o filme conta a história real do corretor de ações americano Jordan Belfort, que construiu fortuna no mercado financeiro, mas acabou condenado a 22 meses de prisão por fraude e lavagem de dinheiro.
Sem rodeios, “O Lobo de Wall Street” escancara os crimes e excessos que marcaram a trajetória de Belfort: dinheiro viajando em malas e roupas para a Suíça, prostitutas e muitas, muitas drogas, em cenas ao mesmo tempo chocantes e cômicas.
Mas, por incrível que pareça, a ganância e as fraudes de Belfort encerram em si importantes lições sobre finanças para qualquer investidor. Veja a seguir:

1 Saiba como o profissional que lhe oferece um produto é remunerado
No início do filme já fica bastante claro para o espectador quais eram os interesses de Belfort quando ele ainda era um corretor iniciante: ele recebia comissão a cada negócio fechado, tal qual um vendedor de loja que disse que aquela peça horrorosa caiu muito bem em você.
É notória uma passagem em que seu mentor diz que enquanto os clientes compram papel, investindo em algo virtual (ações), o corretor recebe “dinheiro de verdade” em sua conta.
Da mesma forma, qualquer profissional que tenha metas de venda ou que receba boas comissões na venda de certos produtos financeiros terá o maior interesse em “empurrar” produtos para seus clientes que nem sempre são os melhores para o seu perfil.

“O gerente do banco, por exemplo, é empregado do banco. Está lá para defender os interesses da empresa, e não há nada de errado com isso. O problema é que nem sempre os interesses da instituição são os mais rentáveis para o cliente. Às vezes é justamente o contrário”, alerta Samy Dana, professor da FGV.
Ele lembra que, ao negociar, o investidor deve sempre procurar saber de que forma a pessoa ou a instituição que lhe oferece determinado produto é remunerada.
Alguns produtos, como títulos de capitalização, seguros e CDBs são prioritários para os bancos; da mesma forma, agentes autônomos são remunerados por instituições para vender seus fundos, e analistas são frequentemente ligados a corretoras, que têm interesse na movimentação da carteira do cliente, uma vez que recebem taxa de corretagem.

Não que esses profissionais não sejam úteis e importantes para o investidor. Muitas vezes eles têm bom conhecimento técnico e são capazes de explicar bem o funcionamento de um produto ou fazer uma análise sólida de um ativo. Mesmo as instituições podem ser suficientemente preocupadas com sua reputação para pôr tudo a perder.

Mas ninguém está livre de golpes, profissionais de conduta duvidosa ou ciladas por conta da própria falta de informação. Cabe também ao investidor ter algum embasamento, ouvir outras fontes e conhecer seu perfil e objetivos, a fim de defender, ele também, seus interesses.
Há uma parte da responsabilidade que cabe a ele, como fazer as perguntas certas, saber a hora de sair de um mau investimento ou ficar de fora daquilo que não conseguiu compreender. Isso pode não livrá-lo totalmente dos problemas, mas pode ajudá-lo a se proteger de alguns.
A existência de um conflito de interesses não torna o produto ruim automaticamente, mas o discurso de quem o vende não deve ser o único fator a se considerar. Veja quais os profissionais que ajudam e que atrapalham seus investimentos.


2 Desconfie do que é “bom demais para ser verdade”
A frase “não entro para um clube que me aceite como sócio”, atribuída a um dos Irmãos Marx, o humorista Groucho Marx, poderia bem ser considerada uma máxima das finanças. E de fato há quem a considere assim.

Desconfie de dicas milagrosas (e exclusivas), de profissionais muito insistentes para vender algum produto, de promessas de enriquecimento rápido e de retornos muito altos.
Esse tipo de apelo emocional é frequentemente usado por golpistas ou mesmo por quem apenas deseja vender um produto que não é tão bom assim.
No filme, Belfort é retratado como alguém com um discurso apaixonado e inspirador, mas também bastante insistente ao tratar com os clientes.
O discurso muito passional pode, por exemplo, camuflar o lado ruim do ativo, evidenciar que ele está “encalhado” na prateleira da instituição, ou pior, que há interesses escusos por trás daquela venda.
A desconfiança deve aumentar ainda mais se os riscos do investimento não forem explicitados – não existe investimento totalmente livre de risco.

Quando Belfort começou a vender “micos” (ações de baixo preço, normalmente centavos, e baixa liquidez), a princípio estava de olho nas gordas comissões que poderia conseguir – muito maiores do que poderia obter ao vender ações de empresas graúdas. Até aí, era assim que funcionava o mercado.
Mas ao montar sua própria companhia, seu interesse passou a ser o enriquecimento por meio de um esquema conhecido como “pump and dump”: Belfort comprava as ações de baixo valor e convencia seus clientes a comprá-las também, a fim de inflar seu preço.
Como o preço dos papéis era baixo, a oscilação era violenta. Em seguida, Belfort e sua turma se desfaziam de seus papéis, embolsavam os lucros, e os demais investidores viam os preços de suas ações desabarem antes de poderem reagir.

A questão é que as pessoas compravam esses papéis, mesmo eles sendo de empresas não muito sólidas. As promessas de retornos altos e enriquecimento rápido as seduzia.
Enriquecer rapidamente com investimentos financeiros não é uma tarefa trivial, especialmente para quem tem pouco dinheiro, pouca expertise ou quando a economia atravessa um mau momento.
Da mesma forma, retornos muito altos, muito acima da média, não podem ser encarados como regra. Além disso, ações são ativos de risco, sem retorno garantido.
E quanto à dica de investimento infalível, se ela é tão poderosa, por que aquela pessoa está contando aquilo para você? Ela não deveria guardar a informação só para si para enriquecer sozinha?
As estratégias “boas demais para ser verdade” estão por todo lado. “É o que acontece com as pirâmides financeiras, por exemplo. Sempre que existe um golpe desses, de um lado você tem um golpista e do outro você tem alguém que acredita no milagre”, diz Samy Dana.

3 Invista em educação financeira
Ao começar a sua carreira, Belfort vendia “micos” para profissionais liberais que tinham pouco dinheiro e conhecimento financeiro menor ainda.

Atraídos pelo discurso do enriquecimento rápido e pela venda de sonhos (“você poderá quitar sua hipoteca com o que você vai ganhar com esta ação”, prometeu Belfort a um deles), esses investidores colocavam boa parte das suas suadas economias em ações de empresas que nunca tinham sequer ouvido falar.

Isso não quer dizer que as empresas mais famosas terão as ações mais lucrativas e menos arriscadas, nem que as companhias menos conhecidas serão “micos”, mas sim que algum conhecimento financeiro é necessário antes de se aceitar as ofertas imperdíveis e as dicas infalíveis de investimentos espetaculares.
Quem não entende o funcionamento ou pelo menos os riscos daquilo em que está investindo pode acabar jogando fora as economias de toda uma vida, o dinheiro da aposentadoria, da faculdade dos filhos ou da casa própria. Pior ainda se concentrar todos os seus recursos em uma única aposta, sem diversificar.
Além disso, os danos emocionais podem ser irreversíveis. Criar uma grande expectativa em torno de um negócio e depois se decepcionar com o prejuízo pode trazer problemas psicológicos, familiares e afastar o investidor do mundo dos investimentos para sempre.

4 Cuidado com os “gurus”
Depois de cumprir pena de prisão, Jordan Belfort se tornou orador motivacional, “guru” de vendas e motivação, palestrante e escritor. Um desfecho irônico para alguém que usou seus talentos e seu charme para cometer crimes.

Não obstante, seus livros se tornaram best-sellers, e ele consegue lotar palestras. O filme retrata sua plateia como um bando de pessoas absolutamente inebriadas por seu discurso – talvez pessoas que seriam facilmente levadas a fazer maus negócios pelo Belfort corretor.
Os “gurus” estão por aí e são de fato fascinantes e sedutores. Uma história como a de Belfort faz com que as pessoas fiquem divididas em seus sentimentos.
Se por um lado ele era um sujeito motivador e que trabalhou duro desde cedo, por outro os absurdos de sua trajetória variam do deprimente ao hilariante - ao menos para quem observa do conforto da sala de cinema.

Mas assim como é preciso ser cauteloso com os profissionais de investimentos, também não é interessante se atirar cegamente ao discurso de um “guru”.
Não que o “guru” seja necessariamente uma fraude. “Ele pode acreditar de fato naquilo que ele diz. Se o argumento dele for consistente, há que se testar o método. Mas quanto mais profético for o discurso, maior deve ser a desconfiança”, diz Samy Dana.

Novamente, vale a ideia de considerar seus possíveis conflitos de interesses, a magnitude das promessas feitas e a história de vida do sujeito: será que ele vive o que ele apregoa? E será que você quer se tornar aquilo que ele foi ou é?

“Todo mundo quer fazer bons negócios e procurar atalhos. Para isso há os sujeitos que vendem promessas, mas elas podem ser fraudes ou beirar o misticismo”, alerta Dana.

Redes estrangeiras de restaurantes batem recordes no Brasil - Fast Food Zombies



Brasil bate recordes mundiais de venda de McDonald's, Outback e Hooters

Aiana Freitas
Do UOL, em São Paulo

Redes americanas como Outback Steakhouse, Hooters e McDonald"s têm, no Brasil, algumas das unidades que mais faturam no mundo. Clique nas imagens acima e veja curiosidades sobre a atuação dessas empresas no país Arte/UOL

Cardápio abrasileirado, com caipirinha, picanha e pastel, informalidade no atendimento e um consumidor que cada vez mais faz refeições fora de casa. Esses três fatores têm feito com que o Brasil se torne um mercado de destaque para redes americanas de restaurantes.
McDonald's, Hooters e Outback são exemplos de empresas que têm, aqui no país, unidades que batem recordes de vendas no mundo.

Há três anos consecutivos, o restaurante Outback do Shopping Center Norte, na zona norte de São Paulo, é a unidade que mais fatura no mundo. "Dos dez maiores restaurantes do mundo em relação ao faturamento, nove são brasileiros", diz Salim Maroun, presidente do Outback Brasil. O outro fica em Las Vegas, nos Estados Unidos.

A rede, criada em 1988, é americana, mas de temática australiana. Em 1997, abriu sua primeira unidade no Brasil, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Hoje, são 50 restaurantes no país.
As outras unidades brasileiras que figuram no topo da lista de faturamento estão distribuídas nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

"O Outback tem um perfil bastante agradável aos costumes brasileiros, com uma abordagem informal, com proximidade entre atendimento e clientes", diz Maroun.
Picanha preparada com sal grosso
Na tentativa de se aproximar mais do cliente daqui, a rede incluiu no cardápio a picanha. "Este é o único corte preparado com sal grosso, ao estilo brasileiro. Além dele, as caipirinhas também são particularidades do nosso país."
A empresa não divulga o faturamento local, mas diz que, no ano passado, houve um crescimento de 20% em relação a 2012.

A rede Hooters, famosa pelas garçonetes vestidas com roupas sensuais, também tem no Brasil um mercado forte. O primeiro restaurante foi aberto em 2002, mas não deu certo e fechou as portas em 2010.
No fim do mesmo ano, um novo representante passou a tomar conta da marca e abriu um restaurante-modelo na Vila Olímpia, zona oeste de São Paulo. No ano de 2012, essa foi a terceira unidade que mais faturou no mundo, fora os restaurantes dos Estados Unidos. Perdeu apenas para uma unidade de Tóquio, no Japão, e para outra em Cingapura.

Atualmente, dois outros restaurantes Hooters estão abertos (um no Shopping Mooca, na zona leste da capital paulista, e outro em Santo André, no Grande ABC). Outro será inaugurado em abril no Rio de Janeiro.
A empresa, que estima ter faturado R$ 18 milhões em 2013 no Brasil, prevê faturamento de R$ 24 milhões neste ano.
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Luciana Santana Araújo foi escolhida a Garota Hooters Brasil 2013 e vai disputar o título internacional em Las Vegas (EUA) em julho Leia mais Rodrigo Capote/UOL
Garçonete sensual, pastel e caipirinha

Assim como no caso do Outback, o cardápio do Hooters foi adaptado para agradar ao paladar do brasileiro: a rede oferece, só aqui, porção de pastel e caipirinha, que não constam dos menus internacionais.
"Demos uma 'abrasileirada' no cardápio, o que ajudou bastante. Como os brasileiros não costumam comer lanche no almoço, colocamos pratos feitos e picanha", diz Marcel Gholmieh, CEO do Hooters Brasil.
As garotas Hooters também explicam, pelo menos em parte, o sucesso da empresa por aqui.

"As garotas são nosso ponto forte e nosso ponto fraco ao mesmo tempo, porque precisamos desmitificar um possível constrangimento que elas possam trazer aos clientes. Nos Estados Unidos, a marca tem 30 anos, e os clientes estão acostumados com esse conceito. Aqui, temos o desafio de trazer famílias para o restaurante e mostrar que elas são apenas garçonetes, que estão ali para atender a mãe, o pai e a criança."
O contrato da Hooters Brasil com a matriz americana prevê a abertura de pelo menos duas lojas por ano no país. Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Curitiba (PR) e Goiânia (GO) são mercados em estudo.
"Também estamos estudando bastante o Nordeste, mas achamos que ainda não é hora de abrir restaurante lá. A distância cria dificuldades para operarmos na região", afirma o CEO.
Sucesso de lanchonete na zona leste

Criada nos anos 1950 nos Estados Unidos, a rede de fast food McDonald's chegou ao Brasil em 1979 e desde o começo encontrou um público fiel por aqui.
Por anos, a lanchonete do Shopping Center Norte esteve entre as mais movimentadas do mundo. Atualmente, a unidade do McDonald's do Shopping Itaquera, na zona leste de São Paulo, é a que mais vende na América Latina, segundo Dorival Oliveira, vice-presidente de desenvolvimento e operações da Arcos Dourados, dona da marca
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Também na zona leste da cidade, o Complexo Aricanduva, que reúne três shopping centers, é outro caso de sucesso para a rede. Lá, existem quatro restaurantes, três lojas do McCafé e dez quiosques de sorvete – um recorde de unidades num mesmo local. "Todos lá fora querem conhecer o que fizemos no Complexo Aricanduva", diz Oliveira.

A empresa não divulga o faturamento. Para Oliveira, o desempenho da rede no Brasil está ligado a adaptações feitas de acordo com o público-alvo de cada unidade.

"Às vezes temos restaurantes muito próximos, mas com características diferentes. O restaurante da avenida Paulista, por exemplo, recebe muitos trabalhadores, executivos e estudantes. É uma pessoa que quer ser atendida com rapidez, ou se sentar sozinha para ler um jornal, ou conversar com os amigos", diz.
Perto dali, na esquina da avenida Rebouças com a rua Henrique Shaumann, zona oeste de São Paulo, o McDonald's tem um público diferente, formado por famílias inteiras, que vão lá principalmente no fim de semana. Por isso o restaurante tem playground e McCafé.

Os planos da empresa para 2014, segundo Oliveira, incluem a abertura de unidades em cidades em que a rede ainda não está presente. Assis, Arujá, Peruíbe (no Estado de São Paulo) e Sobral (no Ceará) estão entre elas.