Geração do milênio nos EUA mostra conservadorismo na hora de investir




Por Danylo Martins | De São Paulo

 Os jovens investidores costumam manter 52% dos recursos em caixa
Preguiçosos, gastadores e obcecados por tecnologia. Esses são alguns dos adjetivos geralmente atribuídos aos "millennials", os integrantes da "geração do milênio" ou "geração Y", jovens adultos com idades entre 21 e 36 anos. Mas quando o assunto é investimento, essas características parecem ficar para trás, segundo a 6ª edição do estudo "UBS Investor Watch", divulgado recentemente pelo banco suíço.
O título da pesquisa já chama atenção para as características dessa nova geração de investidores que está emergindo: "Think you know the Next Gen investor? Think again" ("Você pensa que conhece a próxima geração de investidores? Pense novamente", em tradução livre). Desenvolvida entre 31 de dezembro de 2013 e 07 de janeiro deste ano, a pesquisa entrevistou 1.069 americanos, com pelo menos US$ 50 mil em ativos financeiros.

Esse investidor mais jovem tem um perfil "extremamente conservador", aponta o levantamento. São pessoas que "seguram mais dinheiro do que qualquer outra geração". Questionados sobre sua tolerância ao risco, 34% dos "millennials" se declaram pouco ou muito conservadores, enquanto apenas 5% dos entrevistados nessa faixa se consideram agressivos na hora de investir. Já entre a geração X, cujas idades vão dos 37 aos 48 anos, apenas 23% disseram ter um perfil pouco ou muito conservador, 11 pontos percentuais abaixo do apontado pela geração Y.

A pesquisa aponta a crise de 2008 como fator chave para explicar o conservadorismo da geração Y. Segundo o estudo do UBS, "os millennials vivenciaram a crise financeira, a volatilidade que atingiu todos os setores e os problemas relacionados ao mercado de trabalho - tudo isso muito cedo em suas carreiras. Essa experiência teve um impacto significante em suas mentalidades".

Se a tolerância a risco da geração do milênio já é conservadora, a média das alocações desse grupo é extremamente conservadora, ressalta o documento. Para se ter uma ideia, na média, os mais jovens mantêm mais da metade ou 52% dos recursos em caixa. Já nas demais gerações esse percentual cai para 23%.
Além disso, 58% dos entrevistados da geração do milênio mantêm aplicações com alta liquidez e baixo risco, como Certificados de Depósitos Bancários (CDs, na sigla em inglês) ou fundos mútuos abertos (MMFs, também na sigla em inglês), que investem em títulos do governo, certificados de depósito e outros valores mobiliários - aplicações seguras e de alta liquidez.

A pesquisa enfatiza ainda que 28% dos entrevistados investem em ações. A menor parcela, correspondente a 7%, aposta em ativos com maior risco embutido, como produtos estruturados, imóveis, mercado futuro ou de opções e commodities.

Enquanto os jovens investidores preferem montar seu portfólio com ativos mais conservadores, o grupo chamado pelo UBS de "non-millennials", que abrange as demais gerações (a "swing", com idades a partir de 68 anos, a dos "baby bommers", na faixa entre 49 e 67 anos, e a X, que reúne pessoas de 37 a 48 anos), tem apenas 23% da carteira aplicada em ativos líquidos e de baixo risco, enquanto a maior parte da cesta de investimentos (46%) é direcionada para ações. Sem contar que aplicações alternativas, produtos estruturados, imóveis, entre outros, ocupam 15%, mais que o dobro da fatia destinada pelos "millennials" para esses ativos mais arriscados e voláteis.

O levantamento mostrou ainda que os jovens estão mais focados no sucesso pessoal do que em alcançar retornos elevados a partir das aplicações feitas. Cerca de 24% dos entrevistados afirmaram estar mais preocupados em atingir as metas pessoais, e menos em como estão os investimentos diante do mercado. Além disso, 36% responderam que ficariam felizes caso os investimentos ficassem próximos ao desempenho dos ativos no mercado global. Apenas uma pequena parcela (17%) afirmou tentar superar o mercado em taxa de retorno.

Enquanto outras gerações investem em ativos mirando objetivos de longo prazo, grande parte dos "millennials" (69%) diz acreditar no "trabalho duro" como um dos principais fatores que ajudam a atingir o sucesso. Somente para 28% dos jovens investidores as aplicações com foco no longo prazo são importantes na busca pelo sucesso. Já para os chamados "non-millennials", esses ativos são considerados um dos elementos fundamentais para ser bem-sucedido.

Ainda de acordo com o levantamento, uma pequena parcela (14%) dos "millennials" disse contar com um consultor financeiro para ajudar na administração de seus investimentos. A geração Y prefere conversar com companheiro ou companheira, pais e amigos para tomar decisões financeiras. O cônjuge ou companheiro, por exemplo, é citado por 62% dos entrevistados como um bom conselheiro para as finanças.

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