Brasil ainda é um dos mais atrativos para investimento estrangeiro



Por Assis Moreira

Scott Eells/Bloomberg

GENEBRA  -  O Brasil continua a ser um dos países mais atrativos para investimento estrangeiro direto (IED), mas o “toque mágico” dos Bric - grupo composto por Brasil, Rússia, Índia e China - para capturar operações de grandes companhias parece estar diminuindo.

É o que mostra pesquisa da consultoria e auditoria Ernst & Young (EY) com 808 empresários, focada principalmente na Europa ocidental. Na percepção das empresas já estabelecidas nos países, 45% colocam essa região em recuperação como a mais atrativa para fazer IED, praticamente empatando com os 44% de preferência também pela China. 

A América do Norte fica em terceiro com 31%, seguida dos países do leste europeu com 29%, Rússia com 19%, Índia com 17% e o Brasil com 13% das preferências.

Na pesquisa deste ano, a atratividade acumulada dos Bric declinou 15 pontos percentuais - mas o Brasil sozinho é responsável por 13 pontos de queda. Comparado aos resultados de 2012, a percepção de atratividade do Brasil caiu cinco pontos e, da Índia, quatro, enquanto os resultados de China e da Rússia se mantiveram inalterados.

Para a EY, o rápido crescimento econômico dos Bric nos anos anteriores ofuscou alguns de seus desequilíbrios estruturais. Agora, fuga de capital, desvalorização das moedas e “implosão” financeira são apontados pela consultoria como preocupações imediatas em relação a essas grandes economias emergentes.

Ao mesmo tempo, a EY mostra que a Europa ocidental começa a atrair de novo as empresas estrangeiras, incluindo as companhias dos Bric. A parte da Europa na atração de IED caiu de 50% do total mundial em 2002 para apenas 20% no ano passado. Mas o resultado de 2013 já foi melhor, no rastro das expectativas de saída da recessão. A Alemanha, Reino Unido, Holanda e Bélgica são os países que mais atraem investimento das multinacionais na região.

A diferença é que os investidores agora focam mais no consumo, e menos na produção, na Europa ocidental. Estão interessados particularmente nas vendas para os 500 milhões de consumidores “ricos” do velho continente, que tem PIB de 12 trilhões de euros.

Companhias dos emergentes também colocam mais dinheiro na Europa ocidental, interessados nas atividades de pesquisa e inovação. Segundo a EY, em 2013, a Europa ocidental atraiu 3.955 projetos de empresas estrangeiras, 4% a mais do que no ano anterior. Desse total, empresas dos Bric anunciaram 313 projetos na região e 16,9 mil novas contratações de funcionários, recorde nos dois casos.

Sem surpresa, a China é o principal investidor dos Bric na Europa, com 153 projetos (49%) e 7.135 empregos criados. A Índia vem em segundo, com 103 projetos e quase 7 mil empregos a mais. A Rússia anunciou 44 operações e, o Brasil, 13. A consultoria não menciona o número de empregos criados.

Outro levantamento mostra que o IED na África atingiu o maior nível na última década, acima de 80%. Segundo o levantamento, a alta é puxada pelo crescimento de 4,3% dos investimentos destinados à África subsaariana. O Reino Unido continua a ser o principal incentivador no continente, mas o investimento intra-africano sobe de forma constante. Os setores ligados ao consumo são os que mais crescem à medida em que a classe média da África se expande.

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