Gol tem nono trimestre de prejuízo e já acumula perdas de R$ 2,3 bilhões desde 2012





Dólar e combustível são os vilões mais uma vez. Para se blindar contra a oscilação cambial, empresa amplia destinos internacionais

Danielle Nogueira



RIO - A Gol encerrou o primeiro trimestre com prejuízo líquido de R$ 96 milhões, crescimento de 27,7% em relação ao resultado negativo de R$ 75 milhões em igual período de 2013. É o nono trimestre consecutivo de perdas, que vem sendo registradas desde 2012. Ao longo dos últimos nove trimestres, a companhia acumula prejuízo líquido de R$ 2,3 bilhões.



Em relação ao quarto trimestre, o prejuízo também subiu. A alta foi de 398% em relação aos R$ 19 milhões de perdas. A perda atribuída aos acionistas controladores foi de R$ 131,2 bilhões, alta de 75,3% ante o primeiro trimestre de 2013.



A apreciação do dólar e o aumento do preço do combustível foram mais uma vez os fatores determinantes para o desempenho negativo. O preço do Querosene de Aviação (QAV) subiu 8,1%, para uma média de R$ 2,62 entre janeiro e março de 2014, um recorde. E a desvalorização do real ante o dólar foi de 18% no período, na comparação com o primeiro trimestre de 2013.



Cerca de 55% das despesas da Gol são em dólar (manutenção, leasing de aviões e o próprio combustível), o que explica a elevada exposição da companhia às variações cambiais.



O impacto da mudança de câmbio na Venezuela também influenciou o resultado. A Gol reconheceu perda de R$ 76 milhões no primeiro trimestre, como já havia divulgado há algumas semanas. A Venezuela desvalorizou o bolívar (moeda local), provocando perdas para várias aéreas.



Para os próximos meses, a Gol aposta em um cenário mais favorável:



– No segundo trimestre, acreditamos que o cenário vai melhorar, com redução do preço do combustível e menor desvalorização do real – disse em teleconferências com jornalistas Edmar Lopes, vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores.



Para se blindar contra as variações cambiais, a Gol vem adotando a estratégia de ampliar sua receita em dólar, elevando os destinos internacionais. Ontem mesmo a companhia anunciou o início da venda de bilhetes para Santiago do Chile, a partir de julho. A empresa também passou a voar de Fortaleza para Buenos Aires.



Atualmente, o mercado internacional representa 12% da receita da empresa. A meta é chegar a 17% em 2016.



No caso da Venezuela, o presidente da Gol, Paulo Sérgio Kakinoff, disse que a companhia manterá as operações no país, apesar do cenário adverso:



– Acreditamos que esse cenário de câmbio (na Venezuela) veio para ficar. Temos 11 frequências para Caracas e dez delas são, na verdade, conexões para outros destinos (Aruba e Punta Cana). Há possibilidade de redução de oferta para a Venezuela por razões sazonais de demanda, não por causa da alteração no câmbio



Receita recorde



As perdas no trimestre contrastam com o resultado operacional da companhia. O lucro operacional foi de R$ 144 milhões (alta de 43% ante o primeiro trimestre de 2013), e a receita líquida atingiu seu maior nível para um primeiro trimestre, totalizando R$2,5 bilhões, aumento de 20% ante igual período.

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