Atenção, senhores: podem roubar à vontade! O eleitor não está nem aí.





Ricardo Noblat

Dilma guardou silêncio por mais de mês sobre o escândalo de corrupção que reduziu à metade o valor da Petrobras.

O escândalo tem a ver com o desvio de recursos para enriquecer políticos que apoiam o governo e financiar campanhas. A de Dilma, inclusive.

Por que na semana passada, finalmente, Dilma avisou a jornalistas que a entrevistavam: “Houve desvio, sim!”?

Primeiro: o desgaste de continuar fingindo que desconhecia o escândalo estava pegando mal junto a formadores de opinião.

Segundo: Dilma se sentiu confortável para reconhecer o escândalo ao saber que políticos do PSDB também meteram a mão na grana da Petrobras.

Ora, se todos roubam por que não podemos roubar? Se todos são uns pilantras por que não podemos ser?

E daí?

Daí, nada.

Salvo uma parcela do eleitorado que baba de raiva quando ouve falar em roubalheira, o resto está pouco se lixando. Parte do pressuposto de que todo político é ladrão. E de que só nos resta aturá-los.

O mensalão 1, o pagamento de propina a deputados federais para que votassem como queria o governo, fez tremer o governo no segundo semestre de 2005. Lula chegou a pensar em desistir da reeleição.

O primeiro semestre do ano seguinte começou com a recuperação da popularidade de Lula. O segundo terminou com a reeleição de Lula com larga vantagem de votos sobre Geraldo Alckmin (PSDB).

João Vaccari, tesoureiro do PT e representante da campanha de Dilma junto à Justiça Eleitoral, está metido até o último fio de sua quase careca na corrupção que ameaça engolir a Petrobras.

Vaccari foi nomeado por Dilma para o Conselho Administrativo da Itaipu Binacional. Ganha R$ 20 mil para participar de duas reuniões mensais.

- A senhora confia em Vaccari? Confia? – perguntou Aécio a Dilma no debate da TV Record.

Dilma fez que não ouviu.

Desde que façam alguma coisa pelos mais pobres, os políticos poderão continuar roubando à vontade.

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Crise financeira dobrou o número de bilionários no mundo




Número de bilionários no mundo dobrou desde o início da crise financeira

Pedro Peduzzi, da AGÊNCIA BRASIL

Brasília - Relatório divulgado hoje (29) pela Oxfam - organização não governamental que desenvolve campanhas e programas de combate à pobreza em todo o mundo - informa que, desde o início da crise financeira internacional, em outubro de 2008, dobrou o número de bilionários no mundo. Ao mesmo tempo, aumentou também a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres.

De acordo com o diretor da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst, entre as causas da desigualdade, que aumenta cada vez mais o fosso entre ricos e pobres, está o “fundamentalismo do mercado”, que promove um crescimento econômico que beneficia apenas uma elite pequena, deixando em situação ainda mais difícil os pobres.

"Para começar, 70% da população mundial vivem em países onde a desigualdade e a concentração de riqueza aumentaram nos últimos anos. O número de bilionários do mundo simplesmente dobrou desde que a crise financeira teve início. Crises como essa afetam, em geral, o lado mais frágil da corda”, disse ele à Agência Brasil. E o aumento da desigualdade, acrescenta ele, pode levar a um retrocesso de décadas na luta contra a pobreza.

Diretora executiva da Oxfam Internacional, Winnie Byanyima disse que o mundo possui recursos suficientes para melhorar a vida de todos. “É hora de equilibrar o jogo antes que a situação piore”, avalia Winnie.

A fim de pressionar as lideranças mundiais a “transformar a retórica em prática e garantir condições mais justas às pessoas mais pobres”, o relatório – intitulado Equilibre o Jogo: É Hora de Acabar com a Desigualdade Extrema – mostra que, enquanto centenas de milhões de pessoas vivem em abjeta pobreza sem acesso a serviços essenciais de saúde ou à educação básica, as pessoas ricas têm dinheiro que jamais poderão gastar durante toda a vida.

“Se as três pessoas mais ricas do mundo gastassem US$ 1 milhão por dia, precisariam de 200 anos para exaurir suas fortunas”, informa o relatório. Segundo o documento, as 85 pessoas mais ricas viram sua fortuna coletiva crescer US$ 668 milhões ao dia entre 2013 e 2014. Isso corresponde a quase meio milhão de dólares por minuto.

Atualmente, na África Subsaariana, há 16 bilionários convivendo com 358 milhões de pessoas na extrema pobreza. E, na África do Sul, a desigualdade está maior agora do que na época do fim do apartheid.

Uma das sugestões da Oxfam para diminuir a distância entre os mais ricos e os mais pobres é o investimento em serviços públicos gratuitos, principalmente nas áreas de saúde e educação. A cada ano, diz o estudo, cem milhões de pessoas são levadas à pobreza porque são obrigadas a pagar por serviços de saúde.

Na avaliação de Simon Ticehurst, a desigualdade é ruim para todo o mundo e causa impactos nas condições de emprego e na segurança, além de resultar também em instabilidade política.

A América Latina, exemplifica o pesquisador, é a região mais desigual e insegura do planeta. E é a que registra mais violência.

Mas a desigualdade não está presente apenas nos países mais pobres", ressalta ele. “No Reino Unido, dependendo de onde você nasce e de onde você mora, a diferença na expectativa de vida pode chegar a nove anos de diferença. Isso também está relacionado às diferenças sociais, porque quanto maior for a sua qualidade de vida, maior será a sua longevidade”, disse.

Outro país citado pelo diretor da Oxfam são os Estados Unidos. “Lá, se você nasce dentro de família pobre, tem 50% a mais de chances de ser pobre na fase adulta. É um país que tem baixíssima mobilidade social. Isso desmente o que prega o American Dream [Sonho Americano]. Como bem disse Richard Wilkinson no resumo executivo da nossa publicação, se os americanos querem viver o sonho americano, devem se mudar para a Dinamarca”.

Apesar dos históricos problemas de desigualdade social no Brasil, o país é citado como exceção, ao ser comparado à tendência que se verifica no mundo, de aumento da desigualdade social.

“Podemos dizer que o Brasil está construindo um tipo de Brazilian Dream (sonho brasileiro). Há muito a avançar, mas os primeiros passos já foram dados. Enquanto outros países, inclusive europeus, estão andando para trás, o Brasil está melhor equilibrado, apesar da situação ainda desfavorável para boa parcela da população. Mas o Brasil precisa ter cuidado para não cair no discurso do fundamentalismo de mercado. Isso colocaria em risco todos os avanços conquistados”, alerta o diretor da entidade britânica.

Na avaliação de Simon Ticehurst, situações de desigualdade identificadas em boa parte do mundo, apesar de serem historicamente problemáticas, podem ser corrigidas. Basta que se insista nas políticas que são acertadas.

“Não é inevitável. Podem ser corrigidas com uma série de medidas relacionadas à importância de os governos responderem às necessidades de todo o povo, e não de uma elite econômica.

O problema é quando, a exemplo do que acontece na política brasileira, há uma exagerada influência das elites no parlamento”, disse ele.

Para a Oxfam, uma medida que pode ajudar a amenizar o problema é o combate efetivo à sonegação fiscal, principalmente das grandes corporações multinacionais e das pessoas mais ricas do mundo.

“Uma alíquota de imposto de apenas 1,5% sobre a fortuna dos bilionários do mundo poderia arrecadar o suficiente para colocar todas as crianças na escola e fornecer assistência à saúde nos países mais pobres”, sugere o relatório.

“Não é que sejamos antimercado, mas é justamente o extremo do fundamentalismo de mercado o que tem criado essa explosão de desigualdade. Por esse motivo nossa campanha tem o nome Equilibre o Jogo. O desafio é encontrar um equilíbrio, onde todos possam ganhar. Não apensas os superricos”, disse Ticehurst.


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O documento detalha como os militares devem agir no caso de os mortos voltarem à vida.




O documento detalha como os militares devem agir no caso de os mortos voltarem à vida. O documento é legítimo, mas trata-se de um exercício de treinamento, não de um plano para lidar com uma ameaça iminente

Admita – você deve ter se perguntado, como todo bom fã de The Walking Dead, como se prepararia no caso de um apocalipse zumbi. Trata-se da questão mais premente dos nossos tempos. Em 2011, os militares americanos decidiram fazer o mesmo e traçaram um plano detalhado para proteger a “santidade da vida humana” no caso de um desastre desse gênero.

O documento CONPLAN 8888 permaneceu esquecido por anos nos computadores do Departamento de Defesa até ser desenterrado por um repórter da revista Foreign Policy. Detalha as ações necessárias para lidar com mais de um cenário, no caso de ataques feitos por mais de um tipo de morto-vivo. Você pode lê-lo no final desta reportagem. O pior cenário previsto vislumbra uma situação de rápida transmissão, em que muitos zumbis comerão muitos humanos muito rapidamente. Em resumo, há táticas para lidar com: zumbis patogênicos, criados a partir da infecção provocada por uma bactéria; zumbis criados por radiação e até zumbis conjurados por forças mágicas. O texto ainda informa que é dever dos militares, em situação assim, proteger toda e qualquer vida humana, mesmo aquelas populações de rivais tradicionais.

O Pentágono confirmou a legitimidade do documento. A coisa toda parece uma grande loucura, mas tem sua razão de ser. Evidentemente, os militares americanos não acreditam que zumbis sejam uma ameaça. Para representar problema eles, primeiro, precisariam existir. O CONPLAN 8888 foi, na verdade, escrito com fins educativos. A ideia era fazer com que os ingressantes no Comando Estratégico dos EUA em Omaha, Nebraska, em 2009 e 2010, tivessem uma forma criativa de praticar planejamento militar. A capitã Pamela Kunze forneceu as explicações: “Este documento é identificado como uma ferramenta de treinamento interno no qual nossos alunos aprendem os conceitos básicos do planejamento militar e se desenvolvem através de um cenário de treinamento fictício”, escreveu ela em um e-mail para o repórter da Foreign Policy. “Este documento não é um plano do Comando Estratégico dos Estados Unidos”. Pena.

O documento informa que os militares em treinamento preferiram usar uma situação fictícia para evitar maus entendidos. Seria difícil explicar um exercício que envolvesse uma hipotética guerra com a Rússia, por exemplo. Um exercício com zumbis, por outro lado, jamais será levado a sério. Vale a leitura mesmo assim. Afinal, é sempre melhor se preparar para o pior.
Fonte: Revista Época

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Jovens pagam até R$ 170 por aluguel de iPhone para ostentar na balada. Loser Zombie !!!





Já foi o tempo em que apenas sair arrumado para a balada era garantia de que o look estaria completo. Em Natal, há pessoas que alugam um iPhone para ostentar na balada e sair bem na foto.

O estudante Tiago Torres, 21, alugou um iPhone 5S por R$ 170,00 para ir à Festa do Boi, que ocorre em Parnamirim (região metropolitana de Natal) neste fim de semana, e está ansioso para ver se o smartphone dará resultado na paquera com as garotas.

"A moda é ter um iPhone, mas tenho outras prioridades. Quando vi o anúncio de aluguel, logo procurei me informar para garantir o meu. Do mesmo jeito que me preparei comprando uma roupa nova para a festa, aluguei o iPhone para ficar completo e ostentar mesmo", disse Torres.

Para ele alugar o iPhone foi preciso pagar metade do valor da locação no ato e assinar um contrato que garante a entrega do aparelho intacto. A "ostentação" de Torres só foi possível depois que o editor de vídeo Marco Aurélio Constantino, 28, teve a ideia de alugar smartphones da Apple há cerca de dois meses.

Ele postou anúncios em redes sociais e logo começou a procura para locação dos aparelhos. "Eu vendia iPhone, mas estava com dificuldade de negociar dois em específico. Comecei com eles e, atualmente, tenho quatro para alugar. A procura foi tanta que acabei alugando até o meu. Nesse fim de semana, terei de usar um aparelho básico", disse Constantino.

O "novo empresário" conta que consegue lucrar cerca de R$ 2.000 por mês e que a procura aumenta entre quinta e domingo.

"Muita gente aluga para tirar aquela foto no espelho da academia. Garotos sempre retornam contando que conquistaram determinada menina depois que ela o viu tirando fotos com o aparelho", relatou.

O "estoque" de Constantino é composto por quatro iPhone 5 um iPhone 5s –esse último, segundo ele, é o mais procurado pelas mulheres por ser dourado. A locação do aparelho por um dia de um iPhone 5 custa R$ 120. Já o iPhone 5s custa R$ 170.

"Meus clientes têm smartphones, mas de marcas que não são da moda e com menos funções. Hoje recebi um cliente que fugiu a essa regra e queria ir para uma seresta com um iPhone. Ele sequer sabia tirar fotos, mas eu ensinei e espero que ele se dê bem na festa", contou Constantino.

Para que não ocorra problema de devolução, os iPhones estão registrados com o e-mail de Constatino no serviço iCloud. Dessa forma, caso seja necessário, o dono do dispositivo consegue rastrear o smartphone.

Ele conta que entrega o telefone zerado, com todos os programas resetados, como o WhatsApp, para que os clientes possam desfrutar do aparelho além das fotos. "Quando me devolvem eu desinstalo e o próximo cliente já faz o cadastro dele e usa como se o smartphone fosse dele", explica.

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Drogas e prostituição aumentam PIB da Itália e tiram o país da recessão - Vale tudo para os Corporate Zombies


Novo sistema metodológico, que inclui receita de atividades como tráfico de drogas e prostituição, elevou o PIB de uma queda de 0,1% para uma alta de 0,2%
Por Reuter



ROMA - A Itália revisou para cima seu Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2014 nesta quarta-feira para mostrar estagnação, indicando que a terceira maior economia da zona do euro não está tecnicamente em recessão.



A agência de estatísticas ISTAT havia divulgado anteriormente queda de 0,1% do PIB no primeiro trimestre contra o período anterior, e recuo de 0,2% no segundo trimestre, resultado este que não foi revisado.



Dois trimestres consecutivos de contração são considerados como recessão técnica.
A revisão deveu-se a mudanças metodológicas adotadas na União Europeia que devem elevar o PIB deste ano, dando ao governo do primeiro-ministro Matteo Renzi mais espaço para manter o déficit abaixo do limite da UE de 3%.



O novo sistema, conhecido como SEC 2010, muda a maneira como os gastos com pesquisa e armamentos são classificados nos cálculos do PIB, e também inclui receita de atividades ilegais relacionadas a tráfico de drogas e prostituição.
 

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Suspeita de ebola fecha pronto-socorro em Foz do Iguaçu (PR)




Homem com suspeita de Ebola chega ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro Foz do Iguaçu

Mauro dos Santos/Reuters

São Paulo - Uma Unidade de Pronto Atendimento de Foz de Iguaçu, no Paraná, foi fechada na manhã de hoje após um paciente, oriundo de Serra Leoa, relatar sintomas de febre,  segundo informações da Secretária da Saúde da cidade. O Ministério da Saúde ainda investiga se o caso é, realmente, uma suspeita de ebola.

Segundo informações da assessoria de imprensa da secretaria, o paciente teria chegado há 23 dias de Serra Leoa, um dos países afetados pela epidemia de ebola que já matou mais de 4 mil pessoas ao redor do mundo.

Funcionários e outras pessoas que estavam no local estão mantidos em isolamento. A unidade fica no bairro Jardim das Palmeiras.

Segundo caso

Este é o segundo caso de suspeita de ebola no país. Na última quinta-feira, o guineano Souleymane Bah, de 47 anos, chegou a um pronto-socorro de Cascavel, cidade há cerca de 140 km de Foz do Iguaçu, relatando febre.O caso também foi tratado como suspeita de ebola.

No dia seguinte, ele foi encaminhado ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os dois testes para a doença deram negativo e ele recebeu alta na manhã de ontem.

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EXAME DESCARTA EBOLA E CRESCEM SUSPEITAS DE ‘ARMAÇÃO




OPOSIÇÃO SUSPEITA QUE ‘EBOLA’ FOI CRIADO PARA TIRAR PETROLÃO DAS MANCHETES
Publicado: 11 de outubro de 2014 às 10:16 - Atualizado às 15:27
Por: Redação


ebola no brasil by agencia brasil
O homem da Guiné: era uma febre de apenas 36 graus
Deu negativo o exame para diagnóstico etiológico de Souleymane Bah, paciente com suspeita de infecção pelo vírus ebola, segundo o Ministério da Saúde informou na manhã deste sábado (11), muito embora o resultado conclusivo somente  será obtido após um segundo exame, 48 horas após a primeira amostra.

O paciente já não apresenta febre e está mantido em isolamento total no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, mas sairá do isolamento se o segundo exame descartadar a hipótese de ebola.

Setores de oposição e eleitores nas redes sociais desconfiam que tudo não passou de armação para tentar ofuscar a repercussão das declarações do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do megadoleiro Alberto Youssef.

As suspeitas de armação foram objeto de nota na coluna do jornalista Cláudio Humberto, do Diário do Poder, neste sábado: “Oposicionistas aguardam a confirmação do ebola, anunciado no exato dia em que foi revelada a espantosa corrupção na Petrobras, durante os governos Lula e Dilma. Desconfiam que o ebola pode estar sendo usado em lugar de “descobertas” de petróleo, para abafar o escândalo.”

Bah, um missionário de 47 anos, saiu de Guiné, na África Ocidental, no dia 18 de setembro. Após passar pelo Marrocos, chegou ao Brasil no dia seguinte. Por apresentar febre (de apenas 36 graus), o caso foi classificado como suspeito. Mas o que ele tinha, segundo os médicos, era sintomas de desnutrição.

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Autoridades investigam suspeita de ebola no Paraná




Luís Barrucho, Mariana Della Barba e Renata Mendonça
da BBC Brasil em São Paulo

Vírus do ebola / Crédito: EPA
Homem com suspeita de ebola é internado no Paraná
A Secretaria Estadual de Saúde do Paraná confirmou à BBC Brasil que há a suspeita de um homem com o vírus ebola na cidade de Cascavel, no oeste do Estado. Não há a confirmação sobre o contágio.
O homem, cuja identidade não foi revelada, é da Guiné e tem 47 anos. Ele está hospitalizado e isolado em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Bairro Brasília.
Equipes do Ministério da Saúde em Brasília e da Secretaria Estadual de Saúde do Paraná estão a caminho de Cascavel para averiguar o caso. Se confirmado, seria o primeiro caso da doença na América Latina.

O paciente chegou da Guiné, um dos epicentros da epidemia do vírus, no dia 19 de setembro, de acordo com a nota do Ministério da Saúde (confira a nota na íntegra abaixo).
O homem apresentou sintomas semelhantes aos do ebola, como febre alta, 20 dias após sua chegada, na quarta-feira.

"Até o início da noite, estava subfebril e não apresentava hemorragia, vômitos ou quaisquer outros sintomas. Está em bom estado geral e, mantido em isolamento total", diz a nota.
De acordo com o comunicado, ele será transferido para o Rio de Janeiro.
Leia mais na BBC Brasil: Erros, pânico e revolta em Madri: O caso da enfermeira com ebola

Protocolo
Como os sintomas do paciente surgiram dentro do período de incubação do vírus (21 dias), o caso é tratado como um possível contágio de ebola, segundo os protocolos internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS), acrescentou a Secretaria Estadual de Saúde do Paraná.
O paciente encontra-se isolado e seu estado de saúde é estável. A secretaria reiterou que não há confirmação de que o homem estaria contaminado com ebola.

A previsão é a de que as equipes do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual cheguem em Cascavel até as 3h da manhã, segundo a prefeitura de Cascavel.
Autoridades locais também confirmaram que os pacientes que estavam no hospital e entraram em contato com o paciente foram proibidas de deixar o local e estão sendo monitoradas, até avaliação dos funcionários do Ministério da Saúde.

Leia mais na BBC Brasil: Ebola 'é maior desafio de saúde pública desde surgimento da Aids'
Isolamento
Em entrevista à BBC Brasil, o chefe da 10ª Regional de Saúde de Cascavel, Miroslau Bailak, disse que a opção pelo isolamento do paciente foi tomada como "medida de prevenção".
Segundo ele, o homem, que veio da Guiné, se apresentou à UPA Brasília em Cascavel alegando estado febril.

O médico que o atendeu teve dificuldades de comunicação porque o paciente falava bem pouco de português, acrescentou Bailak.
Ao examiná-lo, o médico não constatou febre, mas ouvindo o relato de que o homem havia chegado há 19 dias da Guiné, comunicou o caso à Secretaria de Saúde e ao Ministério da Saúde e, na sequência, seguiu os procedimentos aconselhados pela OMS – de isolamento do paciente e das pessoas que tiveram contato em até 3 metros de proximidade dele.
A UPA Brasília teve, então, os portões fechados por volta de 18h30, e nenhuma enfermeira ou paciente que esteve na mesma ala que o homem internado com suspeita de ebola pôde deixar o local a partir de então.

Leia mais na BBC Brasil: Sacrifício de cão de enfermeira infectada com ebola gera protesto e polêmica na Espanha

Pânico
Com a notícia de que os funcionários da unidade não poderiam sair do trabalho, familiares ficaram preocupados e foram até o local em busca de mais informações.
"As pessoas foram chegando correndo, desesperadas, criou um pânico nelas, porque elas não estavam entendendo o que estava acontecendo, não tinham informações", relatou à BBC Brasil Jonas Sotter, jornalista da CBN Cascavel.

Segundo ele, uma enfermeira saiu da unidade para comunicar os familiares dos funcionários que eles não poderiam sair por conta do homem com suspeita de ebola. Ela tranquilizou as pessoas explicando que era apenas uma medida preventiva.
Tanto os funcionários, quantos os pacientes que estavam na ala do homem com suspeita de ebola, terão de esperar a equipe Ministério da Saúde chegar à UPA nesta madrugada para só então serem orientados sobre o que fazer – se vão precisar ficar isolados ou não.

Epidemia
Segundo estimativas da OMS, quase 4 mil pessoas já morreram por causa da doença, no pior surto da história. A epidemia está concentrada em três países: Libéria, Serra Leoa e Guiné.
Nesta quarta-feira, Thomas Frieden, diretor do Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), ligado ao Departamento de Saúde dos EUA, afirmou que a epidemia de ebola na África Ocidental pode ser comparada com o surgimento da Aids em termos do desafio que impõe aos gestores de saúde pública.

"Eu diria que, em 30 anos que trabalho com saúde pública, a única coisa parecida foi a Aids", disse Frieden, considerado uma das maiores autoridades da área nos Estados Unidos.
Ele fez a declaração em um fórum do Banco Mundial a respeito da doença, realizado em Washington.
Durante a reunião, o vice-diretor da Organização Mundial de Saúde (OMC), Bruce Alyward, afirmou que o ebola está "enraizado nas capitais" dos países mais afetados e está "acelerando em todos os aspectos".

Segundo Alyward, os chefes de Estado enfrentam um desafio extraordinário pois precisam comunicar à população a urgência da situação, mas não podem causar pânico.
Confira a nota conjunta Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde na íntegra:
O Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná informam que a Unidade de Pronto Atendimento Brasília, em Cascavel (PR), recebeu nesta quinta-feira (9), no período da tarde, um paciente classificado como suspeito de infecção por ebola.
Trata-se de um homem, de 47 anos, vindo da Guiné (escala em Marrocos), que chegou ao Brasil, no dia 19 de setembro. Ele relatou que ontem (8) e nesta manhã (9) teve febre. Até o início da noite, estava subfebril e não apresentava hemorragia, vômitos ou quaisquer outros sintomas. Está em bom estado geral e, mantido em isolamento total.

Por estar no vigésimo primeiro dia, limite máximo para o período de incubação da doença, foi considerado caso suspeito, seguindo os protocolos internacionais para a enfermidade. Guiné é um dos três países que concentram o surto da doença na África.
O ebola só é transmitido através do contato com o sangue, tecidos ou fluidos corporais de indivíduos doentes, ou pelo contato com superfícies e objetos contaminados. O vírus somente é transmitido quando surgem os sintomas.

Imediatamente após a identificação da suspeita, o paciente foi isolado na unidade e, adotadas medidas previstas no protocolo nacional, como a comunicação à secretaria estadual de saúde e Ministério da Saúde.

O caso está sendo acompanhado pelas equipes de vigilância em saúde do Ministério da Saúde e do Paraná. Assim que comunicado, o Ministério da Saúde enviou imediatamente equipe para Cascavel, por meio da FAB (Força Aérea Brasileira), onde coordenarão in loco as medidas de atendimento e a identificação de possíveis contatos para orientação e controle.

O paciente será transferido, conforme protocolo de segurança, para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro (RJ), referência nacional para casos de ebola. A transferência será feita por meio de aeronave da Polícia Rodoviária Federal.
Nesta sexta-feira (10), o ministro da Saúde, Arthur Chioro, que coordena a ação nacional, e o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, concederão entrevista coletiva sobre o caso, às 10h, no Ministério da Saúde. Na manhã desta sexta, uma equipe da Secretaria Estadual da Saúde também atenderá à imprensa em Cascavel.

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Conversa entre empreendedores: ‘Cansei desse País, vou para os EUA’ 10 de setembro de 2014




Leo Spigariol 

Às vezes, sinto-me como aquele personagem do desenho do Pica-pau, o
jacaré. Na história, ele dá dois passos para frente e um para trás. No
último mês, estamos discutindo muito sobre a desburocratização das
microempresas que estão no sistema Supersimples. Talvez, pelo fato de
estarmos próximos das eleições, o tema volta à baila.

De todo modo, não tenho a intenção de enveredar pela política, mas
sim pela mentalidade que rege o funcionamento de nosso sistema
administrativo – que, na essência, é o mesmo princípio que rege a nossa
vida pública. Essa essência está em todas as manifestações da nossa
cultura e economia.

No País, tivemos muitos avanços no último século no que diz respeito à
classe trabalhadora. Descansar o final de semana ou ter um limite de
carga horária são mais do que direitos, são premissas de bom senso e
humanidade. Historicamente, os sindicatos tiveram papel fundamental
nesse processo. Todavia, hoje percebo que algo se perdeu pelo caminho.
Aquela essência perversa da nossa cultura definitivamente se apossou dos
sindicatos.

Governo cria marquise protetora para pequenos
Ministério quer empresa fechada em um dia
Como toda estrutura burocrática, os sindicatos criaram seus vícios e
suas estruturas de ciclo contínuo de um mesmo comando. E se tornaram
máquinas estranhas. O tema que me chama a atenção é a voracidade com que
os sindicatos procuram aplicar os direitos dos trabalhadores, tal
categoria tem participação em lucros?

Bem, vamos até o “patrão” exigir essa parcela. No entanto, o que
ocorre quando a empresa do “patrão” não alcançou seu ‘break-even’, ou
ponto de equilíbrio. A missão deles é fazer um “acordo” calculado a
partir do balanço do lucro. E se não houve lucro? A empresa não alcançou
o tal ponto e lá vem a turma querendo sua parcela de direito.
Mas parcela do quê?

Um paradoxo: se não há lucro, não há o que dividir. Mas, nesse caso, o
“patrão” tem de distribuir os lucros, mesmo que ele não exista. Isso é o
Brasil, infelizmente. Na sexta-feira, encontrei um amigo que possui uma
fábrica que emprega diretamente aproximadamente 700 funcionários. Sabe o
que ele me disse? “Cansei desse País. Já iniciei o projeto de montar um
fábrica nos Estados Unidos. 

Aqui não tem ninguém sério. As pessoas não
pensam de forma coletiva. Todo mundo quer garantir o seu e ponto.”
E você, leitor e empreendedor, caso não saiba, dependendo do Estado e
do tamanho de seu projeto, o governo estadunidense se compromete a
pagar o salário dos funcionários até sua empresa começar a dar lucro. Ou
pelo menos só começará a cobrar os impostos quando alcançar o ponto de
equilíbrio. Chega a ser ‘non sense’ essa comparação entre Brasil e
Estados Unidos.

Enquanto uma entidade de classe aqui no Brasil quer fazer um “acordo”
e não está nem aí para real situação da sua empresa ou momento, nos EUA
você tem o suporte público para isso se tornar algo saudável. Nós só
conseguiremos criar um cenário favorável ao crescimento, tanto econômico
quanto social, quando mudarmos essa mentalidade que constrói clãs em
que cada um garante o seu quinhão. Bem da verdade, confesso que também
fiquei com vontade de mudar nossa fábrica para outro país.

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Cientistas veem alto risco de Ebola chegar à França e Reino Unido até o final de outubro.




Cientistas veem alto risco de Ebola chegar à França e Reino Unido até o final de outubro
Reuters Em Londres 05/10/2014 10h03

Os cientistas usaram os padrões de propagação da doença Ebola e dados de tráfego de companhias aéreas para prever a chance de 75 por cento de que o vírus poderá chegar na França até 24 de outubro, e chance de 50 por cento para atingir a Grã-Bretanha até essa data.

Esses números consideram um tráfego aéreo operando em plena capacidade. Assumindo uma redução de 80 por cento em viagens para refletir a situação em que muitas companhias aéreas suspendem voos para regiões afetadas, o risco para a França ainda é de 25 por cento e da Grã-Bretanha é de 15 por cento.


3.out.2014 - Médicos do Hospital Universitário de Frankfurt, na Alemanha, usam roupas de proteção individual para receber o médico de Uganda infectado por ebola. O médico, cujo nome não foi revelado, vem de Serra Leoa, um dos países mais afetados pela mais recente epidemia da doença Leia mais Boris Roessler/DPA/AFP

"É realmente uma loteria", disse Derek Gatherer, da Lancaster University da Grã-Bretanha, um especialista em vírus que vem acompanhando a epidemia, o pior surto de Ebola na história.

A epidemia mortal já matou mais de 3.400 pessoas desde que começou na África Ocidental em março e começou a se espalhar mais rapidamente, infectando quase 7.200 pessoas até agora. Nigéria, Senegal e agora os Estados Unidos --onde o primeiro caso foi diagnosticado na terça-feira em um homem que veio de Libéria-- registraram pessoas portadoras do vírus da febre hemorrágica Ebola, aparentemente involuntariamente, chegando em seus territórios.

França é um dos países com maior probabilidade de ser o próximo atingido, porque os países mais afetados-- Guiné, Serra Leoa e Libéria-- falam francês e têm rotas cheias de viagens com o país europeu, enquanto que o aeroporto de Heathrow, na Inglaterra, é um dos maiores do mundo.

Tanto França como Grã-Bretanha, cada um, trataram uma pessoa que voltou ao respectivo país com a doença e depois foi curada. O estudo dos cientistas sugere que mais pessoas podem trazer o vírus para a Europa sem saber que estão infectadas.

"Se isso continuar devastando a África Ocidental e se de fato ficar pior, como algumas pessoas preveem, então é só uma questão de tempo antes que um destes casos acabe em um avião para a Europa", disse o coletor.

A Bélgica tem uma chance de 40 por cento de ver a doença chegar ao seu território, enquanto a Espanha e a Suíça têm menor risco, com 14 por cento cada, de acordo com o estudo publicado na revista PLoS Current Outbreaks.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) não colocou quaisquer restrições sobre viagens e tem incentivado as companhias aéreas a continuarem voando para os países mais atingidos. A British Airways e Emirates Airlines suspenderam alguns voos.

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Navio de país africano atingido pelo ebola aguarda para atracar em Santos





Embarcação da Nigéria espera liberação para operar no cais santista.
Outro navio, do Congo, também deve atracar no Porto de Santos.

Um navio do Congo e outro da Nigéria estão previstos para atracar nesta semana no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. Dos dois países africanos, um foi atingido pelo vírus ebola, que já registrou mais de 4 mil casos no continente.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as duas embarcações solicitaram a emissão do Certificado de Livre Prática, que é requisito básico para atracamento nos portos brasileiros. O navio deve declarar a origem, procedência e informar eventuais agravos de saúde à bordo.

O navio Paros, vindo do Congo, tinha previsão para atracar às 10h desta quinta-feira (11), mas ainda não possuía a liberação da Anvisa. De acordo com o órgão, o navio ainda não apresentou a comprovação referente ao pagamento de taxas, mas já entregou os documentos que provam a inexistência de anormalidades clínicas e problemas sanitários na embarcação. Ainda não há previsão de horário para a atracação.

O navio Mandarin Hatong, de bandeira nigeriana, país afetado pelo ebola, também está na área de fundeio e sem previsão para atracar no Porto de Santos. De acordo com a Anvisa, a situação da embarcação é a mesma do navio do Congo.

Ainda segundo a Anvisa, os trabalhadores do cais santista não devem ficar preocupados com o risco de contaminação pelo vírus ebola. Os navios não têm casos a bordo e, caso algum deles tivesse, não haveria contato com os doentes. Além disso, a Anvisa, o Ministério da Saúde e a Vigilância Sanitária estão preparados e adotariam os procedimentos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ebola
O número de mortos no pior surto de ebola já registrado subiu para ao menos 2.296 pessoas, com 4.293 casos da doença contabilizados em cinco países da África Ocidental, segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgadas nesta terça-feira (9).

Quase metade dos falecimentos (47%) e dos casos (49%) foram registrados nos últimos 21 dias, segundo a OMS. De acordo com os dados apresentados, 1.224 mortes ocorreram na Libéria, 555 na Guiné e 509 em Serra Leoa, os três países mais afetados. Além disso, oito pessoas morreram na Nigéria, de um total de 21 casos (entre confirmados, prováveis e suspeitos). O Senegal confirmou um caso, de três suspeitos.

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Vírus ebola pode sofrer mutação e se espalhar pelo ar, alerta a ONU



Organização teme cenário de 'pesadelo' caso epidemia não seja contida
POR O GLOBO / COM AGÊNCIAS

Paramédico prepara ambulâncias que vão transportar pacientes de ebola do aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, para a Universidade Clínica da cidade Foto: KAI PFAFFENBACH / REUTERS

Paramédico prepara ambulâncias que vão transportar pacientes de ebola do aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, para a Universidade Clínica da cidade - KAI PFAFFENBACH / REUTERS
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RIO - O que muitos temiam tem agora chances reais de acontecer. Em entrevista à imprensa nesta quinta-feira (02), o chefe da missão da ONU para o ebola, Anthony Banbury, disse que o vírus letal poderá sofrer mutação e começar a se espalhar pelo ar, caso a epidemia não seja controlada rapidamente. Banbury descreveu ainda o hipotético cenário como um “pesadelo”.


Médicos e enfermeiras cubanas estão a caminho da África para combater o ebola
Protocolo para ebola não funcionou em primeira visita de paciente americano ao hospital
Até o momento, sabe-se que o ebola é transmitido apenas por fluidos corporais, quando uma pessoa entra em contato direto com o corpo de uma vítima da doença. No entanto, se a transmissão passar a ser também pelas vias respiratórias, o trabalho de contenção do surto se tornará ainda mais difícil.

- Quanto mais tempo o vírus permanece em hospedeiros humanos no caldeirão virulento que é a África Ocidental, mais chances de mutação - disse Banbury Telegraph - É um cenário de pesadelo [que poderia se espalhar pelo ar], e improvável, mas que não pode ser descartado.

O representante especial da ONU admitiu que a comunidade internacional se engajou "um pouco tarde" no combate à epidemia, mas que ainda não era "tarde demais". Pouco antes dos comentários, Banbury falava pouco antes sobre primeiro caso de ebola diagnosticado dentro do território americano. O homem, que contraiu o vírus na Libéria antes de voar para Dallas, no Texas, é o primeiro a ser diagnosticado fora da África, onde a doença já matou mais de três mil pessoas.


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Um hospital do inferno, em uma cidade tomada pelo ebola



Um hospital do inferno, em uma cidade tomada pelo ebola

The New York Times Adam Nossiter
Em Makeni (Serra Leoa)


"Onde está o cadáver?" gritou o trabalhador da equipe de enterro, abrindo a porta da ala de isolamento do hospital público daqui com um chute. O corpo estava bem diante dele, um homem jovem de corpo robusto que ficou estirado no chão a noite toda, com sua mão direita retorcida em um desajeitado punho cerrado.

Os outros pacientes, normalmente trancados lá dentro, estavam doentes demais para levantar seus olhos enquanto o corpo era carregado. Enfermeiros, alguns não usando luvas e outros em roupas comuns, se amontoavam ao lado da porta, enquanto poças de fluídos corporais dos pacientes se espalhavam até sua beira. Um trabalhador chutou outro homem no chão para ver se ainda estava vivo. O pé do homem se moveu e a equipe seguiu em frente. Eram 13h30.

Na ala seguinte, uma menina de 4 anos estava caída no chão envolta em urina, com a boca sangrando e com os olhos abertos. Um cadáver estava no canto - uma mulher jovem, com as pernas abertas, que morreu na madrugada. Uma criança pequena estava em um colchonete assistindo enquanto a equipe removia o corpo, contornando um menino pequeno que permanecia imóvel ao lado de baldes pretos de vômito. Eles borrifaram cloro no corpo, e na menininha no chão, enquanto partiam.

Mulher e seu bebê, ambos suspeitos de ter contraído o ebola, ocupam pátio de hospital. Bombali, distrito que inclui Makeni, foi de um caso confirmado de ebola no dia 15 de agosto para mais de 190 neste final de semana Samuel Aranda/The New York Times
À medida que a epidemia de ebola se intensifica em partes do oeste da África, países e agências de ajuda estão prometendo responder com maior força. Mas a doença está correndo mais rápido que as promessas, varrendo áreas que vinham sendo em grande parte poupadas da investida e que não estavam nem um pouco preparadas para ela.

As consequências em lugares como Makeni, uma das maiores cidades de Serra Leoa, são devastadoras.

"O país inteiro foi atingido por algo para o qual não estava pronto", disse a médica Amara Jambai, diretora de controle e prevenção do Ministério da Saúde de Serra Leoa.

Bombali, o distrito que inclui a cidade, passou de um caso confirmado em 15 de agosto para mais de 190 neste fim de semana, com mais dezenas de casos suspeitos. Em um sinal de quão rapidamente a doença se espalhou, pelo menos seis dezenas de novos casos foram confirmados no distrito apenas nos últimos dias, disseram autoridades de saúde.

O governo colocou o distrito, a cerca de 190 quilômetros a nordeste da capital, Freetown, sob quarentena no final da semana passada, tornando oficial o que já estava estabelecido em solo. Os doentes de ebola estão morrendo sob árvores em centros de isolamento ou em alas fétidas de hospitais, cercados por poças de dejetos infecciosos, sendo cuidados da melhor forma possível por enfermeiros pouco treinados e minimamente protegidos, alguns vestindo apenas jeans.

"Não há treinamento para o pessoal aqui", disse o médico Mohammed Bah, diretor do hospital público daqui. "O treinamento se resume ao PowerPoint. É muito difícil administrar o ebola aqui."

Nas últimas semanas, o mundo prometeu intensificar sua resposta à epidemia, que já se espalha há mais de seis meses. Os Estados Unidos enviaram uma equipe militar para a vizinha Libéria, com planos para construção de 18 centros de tratamento para escorar o sistema de saúde em colapso. Os britânicos prometeram construir hospitais de campo em quatro áreas urbanas em Serra Leoa, incluindo esta. Os franceses estão montando um centro de tratamento e um laboratório na Guiné. Os chineses enviaram um grande número de pessoal médico para a região e converteram um hospital que construíram fora de Freetown em um centro de isolamento para os doentes de ebola. Os cubanos prometeram enviar mais de 400 médicos para ajudar a combater a doença na região.

Mas pouca dessa ajuda chegou a esta cidade. Os mortos, os gravemente enfermos, aqueles que estão vomitando ou com diarreia, são colocados entre pacientes que ainda não foram confirmados como vítimas de ebola - não há nem mesmo um laboratório aqui para realização de exames. Em um dos três centros de isolamento em Makeni, pacientes de ebola aturdidos permanecem em contato uns com os outros, próximos dos funcionários de saúde e dos soldados que os vigiam. O risco de contágio é elevado e as precauções são mínimas.

"Nós os encorajamos a não terem contato com fluidos corporais", disse a autoridade médica do distrito, o médico Tom Sesay.

Não há centro de tratamento do ebola aqui e os pacientes, alguns deles gravemente doentes, precisam enfrentar oito horas de viagem por estradas de terra ruins até o centro dirigido pela Médicos Sem Fronteiras em Kailahun - isto é, quando há espaço disponível lá. Alguns morrem no caminho. Pelo menos 90 pessoas já morreram no distrito, disseram autoridades de saúde - um número que ultrapassa em muito o relatado pelo governo para Bombali. Mas a Organização Mundial da Saúde e outros ainda utilizam as estatísticas do governo de Serra Leoa, que parecem subestimar seriamente o número de vítimas.

Fora do quartel-general do diretor médico do distrito à beira de Makeni - um centro de mineração em dias melhores - ambulâncias correm constantemente em busca de novos corpos. Relatos de novos casos surgiram ao longo de todo o fim de semana.

"Nós estamos lutando para descobrir como controlar a epidemia", disse Sesay. "Mas não ajuda o fato de não termos para onde levar nossos pacientes."


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