Polícia Federal apreende bens de Eike Batista em operação na casa do empresário





Foram recolhidos documentos, um piano e sete carros, entre eles um Lamborghini de R$ 2,8 milhões e um Porsche
POR GLAUCE CAVALCANTI
06/02/2015 11:37 / ATUALIZADO 06/02/2015 13:30
RIO - A Polícia Federal apreendeu bens de Eike Batista, em operação na casa do empresário realizada nesta sexta-feira, no Jardim Botânico, no Rio. Foram levados sete carros, sendo dois de luxo, computadores, quadros e até o telefone celular do empresário, além de um piano e de R$ 90 mil em dinheiro, que, segundo Sérgio Bermudes, seu advogado, eram usados para despesas da casa.
Entre os automóveis apreendidos está o Lamborghini Aventador LP700-4, modelo 2012 — com 700 cavalos, que atinge até 350 quilômetros por hora e chega do zero aos 100 Km/h em apenas 2,9 segundos — avaliado em R$ 2,8 milhões e que decorava a sala do empresário. Também está no pátio da PF no Rio o Porsche Cayenne de Eike, que custa entre R$ 600 mil e R$ 700 mil.

A ação foi determinada pela Justiça, para garantir o pagamento de indenizações em caso de condenação do empresário por crimes contra o mercado financeiro. Os bens de Eike e de sua familia foram bloqueados em decisão assinada pelo juiz Flávio Roberto de Souza, da 3ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio. A ordem abrange seus dois filhos mais velhos, Thor e Olin, sua ex-mulher Luma de Oliveira e a mãe de seu terceiro filho, Flávia Sampaio. A ordem determina o bloqueio de R$ 3 bilhões em ativos financeiros e imóveis dos cinco.
— A decisão da Justiça Federal é de uma fúria brutal. O juiz Flávio Roberto de Souza está fazendo uma clara retaliação ao fato de termos questionado sua parcialidade na condução do caso. O processo ainda não foi julgado pelo Tribunal Regional da Justiça Federal (TRF).
'NÃO FICOU DINHEIRO NEM PARA COMIDA', DIZ ADVOGADO
Bermudes questionou o fato de a defesa do empresário não ter acesso à decisão que determinou o bloqueio de bens esta semana. E afirmou que os advogados criminalistas vão recorrer, mesmo sem ter conhecimento do conteúdo da decisão assinada pela Justiça Federal. O advogado frisou que a equipe da Polícia Federal agiu com cortesia no cumprimento da ordem de busca e apreensão.
— Nós vamos recorrer ao TRF. Não ficou dinheiro nem para comprar comida. O juiz calculou, não sabemos como, em US$ 3 bilhões o prejuízo causado por Eike a vítimas (da crise de suas empresas). Mas esse valor ainda não foi decidido. E só seria decidido depois de uma sentença condenatória transitada em julgado. Só aí essas vítimas poderiam propor uma ação para provar os danos sofridos — disse o advogado.
A defesa de Eike alega que o juiz fez declarações indevidas sobre a ação penal em que o empresário é acusado dos crimes de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada. Em dezembro, os advogados do criador do grupo X contestaram sua parcialidade para seguir conduzindo o processo. Nesta quinta-feira, o magistrado declarou não haver impedimento a que ele mantenha os trâmites necessários à continuidade do processo.
http://og.infg.com.br/in/15263367-673-d1f/FT1086A/420/porsche-eike.jpgO Porsche Cayenne do empresário que também foi levado à PF - Gabriel de Paiva / O Globo
O processo de julgamento do empresário teve início em novembro de 2014, quando foi realizada a primeira audiência. Há outras ações contra o criador do Grupo X, iniciadas em São Paulo, pelos crimes de insider trading, falsidade ideológica, indução do investidor a erro e quadrilha ou bando.
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No ano passado, o empresário teve bens bloqueados duas vezes. Na primeira vez, no início do ano, o pedido era de até R$ 122 milhões. Em setembro, em nova operação, o objetivo era bloquear R$ 1,5 bilhão, mas só foram arrestados R$ 117 milhões, que estavam depositados em debêntures (títulos de dívida). O empresário afirmou em entrevista ao GLOBO, na ocasião, que tinha patrimônio negativo de US$ 1 bilhão.
TRANSFERÊNCIAS PARA FAMILIARES
O arresto cumprido esta semana teve entre suas motivações o mapeamento de uma série de doações feitas por Eike, que podem indicar escamoteamento de bens, segundo o juiz Flávio Roberto de Souza.
Segundo ele, quebras de sigilos fiscal, financeiro e bursátil revelaram que Eike, já sabendo que teria que injetar R$ 1 bilhão na antiga OGX, em dificuldades financeiras, doou seis imóveis em 2013. Também fez doações de altas cifras a familiares. Thor recebeu R$ 137 milhões; Flávia Sampaio, mãe do filho caçula de Eike, R$ 25 milhões, e Luma de Oliveira, R$ 15 milhões.

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