Governo "aperta" Fies e derruba ações das educacionais





Segundo uma reportagem do Valor, o governo está limitando o volume de novos contratos do programa

Por Paula Barra |12h24 | 27-02-2015

SÃO PAULO - Depois de um mar de boas notícias para as educacionais, que fizeram as ações dispararem mais de 30% da metade de fevereiro até a última quarta-feira, o setor volta a ser penalizado no mercado hoje. A notícia que veio à tona é que, novamente, o Ministério da Educação agiu sobre o Fies (programa de financiamento estudantil). 

Segundo uma reportagem do Valor, o governo está limitando o volume de novos contratos do programa. Cada instituição está conseguindo inscrever o equivalente a um terço do total de alunos que conseguiram financiamento em 2014. 

"Ainda é prematuro dizer o impacto, já que até agora não houve anúncio oficial e não sabemos até quando vai durar, mas o efeito no curto prazo é bastante negativo", disse o analista da XP Investimentos, Ricardo Kim. Nesse cenário, as mais impactadas são Anima (ANIM3) e Ser Educacional (SEER3), que possuem quase metade da base de alunos nesse programa. Para Kroton (KROT3) e Estácio (ESTC3), o impacto é negativo, mas em proporções um pouco menores, explicou. 

Por isso, hoje na Bolsa as ações da Anima e Ser Educacional são as mais penalizadas. Segundo cotação das 12h24 (horário de Brasília), esses papéis recuavam 21,17% e 12,81%, respectivamente, a R$ 17,54 e R$ 11,77. Já Kroton e Estácio caíam 7,47% e 4,24%, nesta ordem, a R$ 10,65 e R$ 19,19. 

De acordo com a Guide Investimentos, as negociações com o governo estão em fase final, mas ainda persistem incertezas sobre a perspectiva do setor. A expectativa é de crescimento limitado no programa este ano e reformulação entre 2016 e 2018 tendo em vista as restrições orçamentárias do governo e exigências mínimas de qualidade, além da definição de prioridades geográficas e de curso. Mas, para a corretora, não haverá reversão do teto de reajuste dos preços de mensalidades, conforme se especulou ontem.

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Além das dúvidas sobre o Fies, as ações da Anima caem mais forte que as demais por conta também da divulgação, na noite da véspera, do balanço do quarto trimestre. "A empresa bom crescimento na base de alunos e receita nos últimos trimestre, mas houve um desapontamento quanto às margens. Junto com a notícia negativa do Fies, o mercado aproveita para penalizar mais forte essa ação", comentou Kim. No quarto trimestre, a companhia reportou receita líquida de R$ 211,5 milhões, queda de 4,9% na comparação com o mesmo período do ano passado, e lucro líquido de R$ 23,3 milhões, recuo de 28,5%. 

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