Dólar mais alto deixa o brasileiro mais pobre; veja quem ganha e quem perde




Sophia Camargo
Colaboração para o UOL, em São Paulo
Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

O dólar ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 4. Muitas pessoas acham que isso não as afeta, pois não ganham em dólar nem pretendem viajar para o exterior em breve. A verdade, porém, é que o dólar mais alto deixou o brasileiro mais pobre.
"O impacto da alta do dólar na vida das pessoas vai chegar a todos, inclusive à dona de casa", diz Edgar de Sá, economista-chefe da FN Capital.
Um dólar tão valorizado retrata uma economia que está em desequilíbrio, segundo o professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV Clemens Nunes.
Segundo ele, o Brasil está em situação de desequilíbrio fiscal, o que mostra que o governo gasta mais do que ganha, e os investidores não enxergam uma solução sustentável para esse problema num futuro próximo.

"Não há perspectiva de melhora. A consequência disso é que o real se desvaloriza e ficamos mais pobres. Perdemos poder de compra em relação ao resto do mundo."
Qual é o primeiro impacto do dólar mais alto?

A alta do dólar afeta a vida das pessoas comuns porque puxa a inflação para cima.
Muitas matérias-primas são importadas --como trigo, gás e gasolina. Isso provoca um aumento do pãozinho, do macarrão, da gasolina, por exemplo.
Além disso, alguns produtos que são produzidos aqui no Brasil também têm seu preço atrelado ao dólar.

É o caso da soja, da carne, do café, do açúcar, do milho. Mesmo que eles sejam produzidos no país, quando o dólar está mais caro fica mais vantajoso para o produtor exportar. Então, se ele mantém o produto para ser vendido aqui dentro, ele vai querer receber mais por isso.

Outra maneira pela qual a alta do dólar influencia os preços é que, com o produto importado mais caro, os produtos nacionais acabam também sofrendo um reajuste. "Os produtores aproveitam a alta do importado para aumentar a margem de lucro do nacional também", diz Nunes.
Para ele, no curto prazo alguns setores podem até ser beneficiados com a alta do dólar (ver abaixo). "Mas no médio e longo prazo, todos perdem, pois a moeda não está desvalorizada por uma escolha, mas porque a economia está enfraquecida."

Veja quem ganha e quem perde com a alta do dólar
Quem ganha

Balança comercial – A balança comercial é a relação entre as exportações e importações de um país. Com o aumento do dólar, fica mais caro importar e mais barato exportar, o que ajuda a equilibrar essa conta. A balança vem apresentando resultados positivos graças à alta do dólar. Em agosto, por exemplo, a balança apresentou o melhor resultado em três anos

Empresas exportadoras – por terem custos em reais e receitas em dólar, essas empresas se beneficiam da alta da moeda norte-americana. Exemplos são as empresas de papel e celulose e do setor agrícola exportador, como produtoras de soja e de suco de laranja. Esses setores ficam mais competitivos lá fora, mas isso não significa que as exportações vão aumentar imediatamente. "As empresas têm que buscar o mercado lá fora que perderam antes, com o real valorizado", diz Nunes. Além disso, a economia mundial não está tão aquecida para que haja muita procura pelos produtos brasileiros. "Tirando os Estados Unidos, ainda estão meio mal das pernasa Europa, China e Mercosul"

Empresas voltadas ao mercado interno – Essas empresas se beneficiam da alta do dólar pois sofrem menos competição dos produtos importados

Turismo doméstico – o turismo nacional deve ganhar fôlego com a desistência dos brasileiros de tirar férias no exterior. Mesmo assim, não é esperado um aumento muito grande porque, apesar de o dólar estar mais caro, a economia brasileira como um todo está mais fraca. "As pessoas estão preocupadas com a crise e evitam gastar", afirma Edgar de Sá, economista-chefe da FN Capital
Quem perde

Consumidor final – Os aumentos de custos na economia são invariavelmente repassados para o consumidor, que sofre com a inflação e a perda do seu poder de compra
Empresas importadoras – As indústrias que vendem produtos importados ou que dependem substancialmente de matérias-primas importadas são prejudicadas com a alta do dólar. Exemplos são a indústria química, farmacêutica, revenda de carros importados, de perfumes, chocolates, vinho importado. "Vai depender da capacidade delas de repassar a alta dos custos ao consumidor", diz Nunes.

Empresas que tenham dívidas em dólar – Se a empresa fez dívidas em dólar para compra de equipamentos ou insumos e não tem mecanismos de proteção (hedge cambial) para pagamento dessa dívida, está com um problema muito grande agora, afirma Luiz Fernando Roxo, economista da ZenEconomics

Pessoas que fizeram gastos no cartão de crédito no exterior – Além do custo de 6,38% de IOF, o aumento do dólar faz com que o gasto no exterior seja bastante aumentado. É por isso que os especialistas não indicam fazer gastos expressivos com cartão de crédito no exterior, mas deixar seu uso apenas para emergências

Quem tem viagem marcada para o exterior ou programa de estudos no exterior – Com a alta dos preços lá fora, os turistas estão optando por trocar a viagem por um destino nacional ou até mesmo escolher um país menos caro. "Muitos turistas estão optando por fazer viagens para a América do Sul e intercâmbios em países como Nova Zelândia", diz Edgar de Sá

0 Depoimentos:

Bovespa perdeu US$ 1 trilhão durante governo Dilma



Presidente Dilma Rousseff. Empresas listadas na bolsa brasileira já perderam 2/3 do seu valor de mercado desde o início do governo de Dilma Rousseff

Letícia Toledo, de EXAME.comSiga-me


São Paulo - Desde o início do mandato da presidente Dilma Rousseff até a última sexta-feira (18), as empresas listadas na Bovespa já perderam mais de 1 trilhão de dólares em seu valor de mercado. Em abril de 2011, estas companhias brasileiras valiam 1,5 trilhão de dólares, agora valem apenas 514,7 milhões de dólares.

Como se isso já não fosse ruim o suficiente, a bolsa brasileira está cada vez mais perto de perder o título de maior mercado da América Latina para sua rival mexicana.
As 300 empresas brasileiras listadas na Bovespa valem 514,7 bilhões de dólares, enquanto apenas 121 empresas mexicanas valem 497,3 bilhões de dólares. O Brasil, neste caso, tem uma vantagem de apenas 3,4%.

Os dados são de um levantamento da consultoria Economatica, que revela ainda que em dezembro de 2010, no finalzinho do governo Lula, o mercado brasileiro era 65,2% maior do que o mexicano.

0 Depoimentos:

Ação da Petrobras já custa menos que um chope no Rio



Papéis preferenciais estão no menor valor desde agosto de 2003
POR RENNAN SETTI


Referência da vida mundana, chopp está na casa de R$ 8, acima dos R$ 6,82 de um papel preferencial da petroleira - Angelo Antônio Duarte / Agência O Globo

RIO - A cada bicada na tulipa, desce pela goela da boemia carioca versada no léxico financeiro a expressão “custo de oportunidade”. É que, com a derrocada da Petrobras na Bolsa de Valores e uma inflação que poupa ninguém, muito menos frequentadores de botecos, uma ação da estatal já custa menos que o benchmark da vida mundana, o chope.

Ontem, o papel preferencial (PN, com direito a voto e favorita dos investidores pessoas físicas) da Petrobras caiu pelo quinto pregão seguido, recuando 2,15%, a R$ 6,82. O valor é o menor registrado desde agosto de 2003. Enquanto isso, a caldereta de chope no tradicional Cervantes de Copacabana está cotada a R$ 8, deixando espaço de sobra para cobrir as taxas de corretagem de quem decide abdicar da bebida em prol de um investimento na petrolífera brasileira.

Os bebedores com alguma visão retrospectiva se lembrarão que uma ação da Petrobras já teve cacife para bancar uma madrugada inteira regada a chope. Em maio de 2008, por exemplo, o papel da estatal atingiu o pico de R$ 52,51. Desde aquela época, 87% dessa cotação já evaporaram e, se a tulipa segue com o mesmo tamanho, todo habituéde pé-sujos e pé-limpos sabe que seu preço ficou bem mais amargo.

— Quando as ações da OGX caíram a R$ 1, a brincadeira entre os investidores era compartilhar fotos das moedinhas. Agora pode ser a hora de espalhar as fotos das tulipas de chope — brincou o carioca Maurício Pedrosa, estrategista da Queluz Asset Management.

ESCÂNDALO COM ACOMPANHAMENTOS

Segundo Pedrosa, uma conjunção de fatores explica a Petrobras ter caído tanto a ponto de valer menos que um chopinho. A companhia convive há quase dois anos com o escândalo de corrupção da Lava-Jato, que prejudicou sua imagem e levou à perda do grau de investimento por agências de rating.

A companhia também sofre com a desvalorização do petróleo do tipo Brent, que tombou à metade em 12 meses e vale agora por volta de US$ 47. Mais recentemente, a disparada do dólar multiplicou a dívida da empresa, da qual cerca de 70% estão denominados na moeda americana.
Outros modelos de comparação heterodoxos também depõem contra a Petrobras. O carioca que vai e volta do trabalho de ônibus, por exemplo, desembolsa diariamente R$ 6,80. Ou seja, basta que um dia surja uma carona amiga para que o passageiro tenha poupado o bastante para se tornar investidor da outrora gigante brasileira — se tiver, é claro, mais dois centavos na carteira para inteirar a diferença, verdade seja dita.

Mas se o aplicador considerar estapafúrdias comparações com itens que nada têm a ver com a Petrobras, estão aí os postos de gasolina para reforçar a hipérbole. Segundo pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do litro da gasolina no município do Rio é de R$ 3,46. Supondo que um carro popular consegue percorrer 10 Km com um litro, um passeio entre o Maracanã e o shopping Fashion Mall já custa para o motorista mais do que uma ação da estatal...

0 Depoimentos:

Fim do Brasil.



Obrigado Corporate Zombies que infectam nosso pais e nossas empresas por garantir um novo recorde ao a Brasil o de R$4,00 pra U$1,00.

0 Depoimentos: