Por que a crise de 2008 nunca acabou e o mundo flerta com um novo solavanco?




Fracasso dos emergentes devolve aos EUA e Europa a tarefa de sustentar crescimento global


Os bancos centrais não deixaram instituições fracassadas falir e ainda seguram os esqueletos (Michael Fleshman/ Flickr)

SÃO PAULO – O mundo nunca saiu da crise de 2008 e agora flerta com um novo solavanco de proporção global. Esta é a avaliação do banco dinamarquês Saxo Bank, segundo análise publicada nesta semana. O texto, assinado pelo economista francês Dembik Christopher, argumenta que as principais economias do mundo ainda vivem anestesiadas por remédios monetários. E, aliado a isso, os mercados emergentes falharam na promessa de sustentar o crescimento global.

O economista ressalta que durante as 2 últimas décadas os ciclos econômicos foram encurtados. Isso, segundo ele, aconteceu por conta da falta de regulação dos mercados, o crescimento da criatividade financeira, a globalização do comércio e a aceleração dos ciclos de inovação. Ao longo dos últimos 25 anos, a economia norte-americana, por exemplo, viveu períodos de recessão durante os anos de 1991, 2001 e 2009. “A eclosão de uma nova crise nos próximos anos é inevitável”, explica Christopher.

Madrinha
Christopher reconhece que muitos “oráculos” da economia tentam prever crises, mas apesar disso ele se propõe a fazer a própria análise. Um dos sinais de que uma crise é iminente, segundo ele, é a tentativa da China de internacionalizar a sua moeda, um fato que se tornou explícito em agosto quando o país decidiu liberar um pouco mais o iuane.

“A zona do iuane não é capaz de competir com a enorme hegemonia da zona do dólar. Qualquer deterioração sobre a perspectiva da economia norte-americana poderia ter maiores consequências sobre a Ásia e todo o mundo emergente”, argumenta. Ou seja, apesar de a moeda comunista estar na frente até do iene japonês na escolha dos negociantes internacionais, a China continua como uma “madrinha” do casamento e não a noiva propriamente dita.

De fato, a grande crise que se projetara sobre o mundo, quando vários mercados de ações caíram vertiginosamente após o aceno chinês ao livre mercado, se mostrou uma visão precipitada. As coisas voltaram ao normal. De qualquer forma, com a economia em desaceleração, é improvável que um estímulo monetário chinês ao estilo do realizado pelos Estados Unidos para enfrentar a crise de 2008 seja capaz de sustentar por si só o crescimento mundial.

Miopia
Enquanto todos achavam que a economia global estava em seu caminho para um crescimento sustentável, mais e mais indicadores antecedentes têm mostrado que o receio de uma recessão global cresceu. “Os países emergentes estão na fronteira. O Brasil abriu o caminho e a Turquia pode ser a próxima”, aponta o economista.

Segundo o economista, a relutância dos bancos centrais em retirar os estímulos econômicos é outro sinal de que a economia não vai bem. Isso é, aliás, uma lembrança da boa vontade das autoridades monetárias com o mercado financeiro. O economista lembra que muitos bancos centrais atuaram para manter vivas as instituições financeiras que cometeram erros, enquanto o mais correto seria deixar essas empresas falirem.

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